Como João Santana planeja ressuscitar a Terceira Via

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A receita do marqueteiro João Santana para ressuscitar a terceira via

Em tese, há uma “avenida enorme” para a consolidação de candidaturas alternativas às de Lula e de Flávio Bolsonaro

Especialistas do cenário eleitoral observam espaço para uma candidatura de terceira via nas próximas eleições, mesmo diante da forte polarização entre o atual presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. A tese sustenta que a resistência aos favoritos, associada a um grande contingente de eleitores desiludidos ou sem alinhamento ideológico, pode abrir espaço para uma alternativa de centro.

Entre os dados citados, o Instituto Locomotiva, liderado por Renato Meirelles, aponta que 26% dos eleitores não votaram em Lula nem em Jair Bolsonaro na última campanha ou votaram e se arrependeram. Outros 27% apoiaram o petista, mas não se identificam como de esquerda, enquanto 18% votaram no capitão, sem se reconhecer como de direita. O núcleo duro da polarização seria menor: apenas 11% de esquerdistas convictos e 18% de direitistas convictos. “Os extremos existem, mas são minoria e, no entanto, dominam o debate, pautam a cobertura, alimentam o algoritmo. É efeito de megafone, não de espelho. O Brasil que grita não é o Brasil que vota”, escreveu Meirelles.

Receita de vencedor: o veterano do marketing político, responsável por marcos vitoriosos nas campanhas de Lula (2006) e Dilma Rousseff (2010 e 2014), aponta para uma “avenida enorme” para uma candidatura de centro neste ano. O interessado no cargo deveria priorizar a defesa da democracia, a reorganização dos programas sociais e um plano de desenvolvimento centrado, entre outras coisas, nas novas tecnologias e nas novas relações de trabalho.

Com esse arsenal, Santana sustenta que seria possível atacar as falhas geológicas de Lula e as inconsistências de Flávio Bolsonaro. “Crescerá o candidato de centro que esquece a tônica emocional de bater nos dois lados e se concentra num discurso de conciliação nacional. O objetivo é traduzir isso em paz e progresso — com mais segurança, mais saúde, novo empreendedorismo e, principalmente, mais esperança para a grande massa de informais e deserdados”, afirma.

A saída do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), da disputa presidencial indica que não há mais tempo para uma candidatura de terceira via — ou que as chances de uma virada se estreitam, mesmo com a passagem de uma “avenida enorme” disponível à vista.

  • Defesa da democracia como pilar do projeto
  • Reorganização de programas sociais para ampliar o alcance social
  • Planos centrados em tecnologias emergentes e novas relações de trabalho
  • Discurso de conciliação nacional para atrair eleitores desiludidos

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Jornalista

Lucas Almeida

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