A reação de Gilson Machado à ação judicial do PT contra ele por propaganda eleitoral antecipada
Ex-ministro do Turismo gravou vídeo no qual aparece colando adesivo com apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República
No centro da controvérsia segue o ex-ministro Gilson Machado (Podemos-PE), que encara uma denúncia do PT por suposta propaganda eleitoral antecipada em favor de Flávio Bolsonaro. Machado sustenta que não cometeu crime e afirma ter usado verba privada para a confecção de adesivos gigantes que apoiam o senador do Rio de Janeiro, sem pedir voto a nenhum número específico. Por enquanto, a acusação do PT aponta para uma conduta que, segundo a legenda, caracterizaria uma pré-campanha.
Os desdobramentos ganharam contorno com um vídeo gravado ao lado de Marcelo Queiroga, ex-ministro da Saúde, em que ambos aparecem diante de adesivos e discutem a alegada espontaneidade do movimento. Machado ressaltou que os adesivos teriam sido produzidos sem uso de dinheiro público e que não há solicitação explícita de votos. “Cada um faz o seu, é um movimento espontâneo. Estão nas minhas redes sociais, quem quiser baixe o adesivo de Flávio Bolsonaro, porque é com o dinheiro de cada pessoa que acredita nessa pré-campanha. Não é ilegal. Não está pedindo voto em número específico. Este adesivo não é feito com dinheiro público”, afirmou na ocasião.
Em outra gravação, ainda ao lado de Queiroga e publicada nas redes de ambos, Machado aponta que a atuação segue uma linha de campanha para Flávio. “Aqui estamos nesta campanha. Não há meu nome, nem o dele; o foco é Flávio, porque temos que acompanhar as eleições dele no Nordeste neste ano”, diz. Já Queiroga, em tom de apelo, complementa com uma mensagem de voto: “Agora, em 2026, você que é admirador de Jair Bolsonaro, vote em Flávio Bolsonaro. Nós somos admiradores dos dois.”
Ao ser questionado pela Revista VEJA sobre a ação com os adesivos, Machado afirmou que ainda não foi formalmente notificado e reiterou não ter cometido crime eleitoral, colocando-se à disposição para esclarecer os fatos. “Até o momento não fui cientificado sobre a íntegra da suposta representação. Aguardaremos e, a partir disso, nos manifestaremos no processo, já que respeitamos a legislação. Em relação ao vídeo do adesivo de Flávio Bolsonaro, deixo claro que não ofende o artigo 36-A da Lei 9504/97, motivo pelo qual não temos preocupação com qualquer representação eleitoral de quem quer que seja. Estamos à disposição para quaisquer esclarecimentos”, disse ele.
Em síntese, a discussão gira em torno de o que configura propaganda eleitoral antecipada, o financiamento dos materiais exibidos e o peso das declarações públicas em redes sociais. Enquanto o PT afirma que há elementos para formalizar uma representação, Machado defende que as ações observadas caem no âmbito privado e espontâneo, sem pedir votos nem uso de recursos públicos. No dia a dia, a experiência legal segue desdobrando-se: até onde vai a fronteira entre apoio politico e propaganda antecipada?
Para você, quais são os impactos práticos dessa discussão para o voto consciente? Acompanhe os desdobramentos para entender como a lei pode orientar ações públicas de pré-campanha nos próximos meses.
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