Irã prepara contraproposta enquanto Trump pondera ataques
O ministro das Relações Exteriores do Irã indicou que espera ter uma contraproposta pronta nos próximos dias, após conversas sobre o programa nuclear com os EUA; ao mesmo tempo, o presidente norte-americano deixa claro que avalia ataques militares limitados.
No tabuleiro diplomático, o Irã deixou claro que trabalha para apresentar uma proposta alternativa em breve, alinhada aos desdobramentos das negociações nucleares desta semana com os Estados Unidos. Além disso, as autoridades do outro lado do Atlântico sinalizam que o planejamento militar já está em estágio avançado, com opções que vão desde ataques direcionados a indivíduos específicos até a possibilidade de mudanças de liderança em Teerã, caso o comando seja dado por Trump.
Na prática, os meses de impasse parecem ganhar uma nova dimensão de pressão. Duas autoridades norte-americanas disseram que o aparato militar dos EUA evoluiu para uma fase mais concreta, mantendo a porta aberta para ações que excedem ataques a alvos pontuais e contemplam cenários mais ambiciosos, sempre que houver decisão presidencial.
Na quinta-feira, o presidente americano estabeleceu um prazo de 10 a 15 dias para que seja alcançado um acordo que resolva a histórica disputa nuclear, sob o risco de enfrentar “coisas realmente ruins” — enquanto reforços militares no Oriente Médio alimentam temores de um conflito mais amplo. Questionado se considerava um ataque limitado para pressionar o Irã, Trump respondeu de modo evasivo: “Acho que posso dizer que estou considerando”. Em seguida, durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, acrescentou que “é melhor eles negociarem um acordo justo”.
Do lado iraniano, o chanceler Abbas Araqchi, após conversas indiretas em Genebra com o enviado especial Steve Witkoff e o genro do presidente Jared Kushner, afirmou que as partes chegaram a um entendimento de princípios norteadores. Contudo, ele enfatizou que isso não significava um acordo iminente. Em entrevista ao MS NOW, Araqchi acrescentou que uma contraproposta preliminar já poderia estar pronta em dois ou três dias para avaliação das principais autoridades iranianas, com novas negociações entre EUA e Irã possíveis em cerca de uma semana. A posição militar, segundo ele, só atrapalharia o andamento diplomático.
Entre os bastidores, вновь as declarações de Trump chamam a atenção ao tocar na relação entre o povo iraniano e a liderança do país. O presidente reforçou que a repressão às manifestações internas continua a gerar críticas, destacando números que não puderam ser verificados imediatamente, ao mesmo tempo em que lembrava a história de ameaças de violência. “É uma situação muito, muito, muito triste”, disse, sugerindo que suas medidas já causaram recalces da parte iraniana em relação aos planos de execução em massa que teriam sido cogitados há cerca de duas semanas. O registro de direitos humanos no Irã, mantido por um grupo com sede nos EUA, aponta para milhares de mortes e ações sob análise, aumentando o peso dos relatos sobre o tema.
Neste cenário, o conjunto de informações aponta para uma corrida entre diplomacia e pressão militar, com cada lado tentando manter a linha sem ver o efeito desejado prejudicado por desdobramentos imprevisíveis. No fim das contas, o leitor fica diante de uma pergunta cada vez mais pertinente: o que tudo isso muda no dia a dia quando o diálogo ainda tenta encontrar um tom comum entre países com histórico de desconfiança?