Fenômeno raro no céu do Brasil é registrado como criaturas vermelhas

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Duendes vermelhos: registro raro ilumina o céu brasileiro

Estações de Santa Catarina e Rio Grande do Sul captaram simultaneamente a aparição de “sprites” — descargas elétricas luminosas acima de nuvens de tempestade

Na noite de quinta para sexta-feira, 30, dois observatórios meteorológicos, geograficamente distantes — mais de 500 quilômetros entre si — registraram, quase ao mesmo tempo, um evento atmosférico pouco comum. Trata-se dos chamados sprites, ou duendes vermelhos, detectados às 21h50 no horário local pelas estações Foggiatto MAF-1, em Guarujá do Sul (SC), e pelo Observatório do Bate-Papo Astronômico, em Santa Maria (RS).

Esses fenômenos são classificados como Eventos Luminosos Transitórios (TLEs). Assim como os relâmpagos tradicionais, surgem a partir do acúmulo de carga elétrica nas nuvens, mas a descarga acontece na mesosfera, a aproximadamente 80 km acima da superfície. A tonalidade avermelhada surge quando a carga elétrica interage com o nitrogênio presente na atmosfera, criando um brilho que se estende por frações de segundo.

Os sprites aparecem acima das próprias nuvens de tempestade, em altitudes que variam entre 50 e 90 km, na faixa da mesosfera — camada onde os relâmpagos convencionais não chegam. Em termos de aparência, eles costumam se apresentar como colunas, estruturas que lembram águas-vivas ou tentáculos, com duração de apenas milissegundos.

A observação simultânea por duas estações distantes é um diferencial que confere escala a esses eventos, sugerindo que tempestades extremamente intensas podem desencadear descargas de grande porte ali acima. Além disso, a captura em cores é um ponto destacado por especialistas, ja que imagens coloridas ampliam as possibilidades de análise científica sobre a composição e a dinâmica dessas descargas de alta atmosfera.

Segundo o Observatório do Bate-Papo Astronômico, o registro colorido eleva o impacto visual e, principalmente, o potencial de estudo, abrindo caminho para entender melhor como as grandes tempestades influenciam camadas da atmosfera que, na prática, permanecem inalcançáveis para o raio comum. A combinação de observações de estações distantes também reforça a ideia de que tais fenômenos, embora raros, podem ocorrer em conjunto com tempestades intensas localizadas bem abaixo da mesosfera. Por fim, a raridade da detecção se deve à dificuldade de previsão, à necessidade de equipamentos sensíveis e, claro, ao tempo de existência extremamente curto dessas descargas.

Em resumo, esse registro recente não é apenas uma curiosidade visual: é uma janela para entender melhor as complexas interações entre a atividade elétrica de tempestades e as camadas altas da atmosfera. E você, já parou para pensar no que acontece acima das nuvens que vemos?

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Jornalista

Mariana Silva

Personal organizer que adora soluções práticas para casa. Especialista em maximizar espaços pequenos com produtos inteligentes.

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