Em evento, Moraes afirma ter ‘feito o que tinha que fazer’ no dia de decisão sobre Bolsonaro
Horas após o despacho que transferiu o ex-presidente para a Papudinha, ministro comenta o episódio durante formatura da USP
Durante a cerimônia de colação de grau da 194ª turma da Faculdade de Direito da USP, o ministro Alexandre de Moraes, paraninfo da turma, surpreendeu ao
comentar, de forma bem-humorada, que já tinha feito o que tinha que fazer. O recado foi dado na noite de quinta-feira, 15, em São Paulo, no contexto de uma decisão que envolveu o ex-presidente Jair Bolsonaro. Moraes havia determinado a transferência de Bolsonaro da sala de Estado‑Maior, onde estava hospedado, para o Papudinha, unidade da Polícia Militar do Distrito Federal. A plateia respondeu com aplausos, enquanto o ministro aproveitou para brincar com o tempo das falas dos colegas.
No tom de quem observa o ritmo de um dia de evento, Moraes mencionou, com leveza, que nenhum dos oradores conseguiu cumprir os minutos previstos para cada fala. “Oito discursos para vocês é o absurdo do absurdo. Vocês percebem que ninguém cumpriu os três minutos? Quase que eu tive que tomar algumas medidas. Mas hoje eu me contive, acho que já fiz o que tinha que fazer”, disse. Ainda que não citasse Bolsonaro nem a transferência, a fala foi entendida por muitos como referência ao episódio que ganhou repercussão na noite anterior.
A decisão de transferir Bolsonaro para a Papudinha foi anunciada na quinta-feira, 15, com o objetivo de alterar as condições de prisão do ex-presidente. Ele passará a cumprir a detenção em condições ainda mais favoráveis, em uma sala exclusiva e com isolamento total em relação aos demais detentos do complexo. Embora a área tenha capacidade para até quatro presos, ela ficará ocupada apenas por Bolsonaro, destacando o caráter particular da medida.
Bolsonaro e a família vinham reclamando das condições na sede da Polícia Federal, especialmente do barulho do ar-condicionado central e da alimentação. Ao comentar o tema, Moraes ressaltou que as queixas não se repetem para os demais 384.586 presos em regime fechado no Brasil, destacando a especificidade do tratamento no caso em questão. A transferência, portanto, acena para uma mudança prática no dia a dia do ex-presidente, com impactos diretos na rotina de custódia.
No fim das contas, o episódio mostra como, no espaço público, decisões judiciais e interpretações de autoridades podem ganhar contornos quase simbólicos em eventos cotidianos, ao mesmo tempo em que afetam a vida de quem está sob custódia. Para leitores atentos, fica a pergunta: qual será, na prática, o desdobramento dessa mudança de regime e de espaço?