Pais da PM Gisele rejeitam a aposentadoria de coronel

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Monstro covarde: pais da PM Gisele repudiam aposentadoria de coronel

Publicação no Diário Oficial garante salário integral ao coronel, que somou mais de R$ 28 mil, mas a PM Gisele recebia R$ 7 mil antes de ser morta

A notícia da aposentadoria do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, aos 53 anos, chegou em meio às investigações que cercam a morte da policial Gisele Santana. O oficial, preso e acusado de feminicídio, passa a ter direito a receber, de forma integral, o salário da corporação como pensão, mesmo na pendência de processo penal e de possível responsabilização disciplinar. No dia a dia, o desfecho mobiliza a família da vítima e reacende o debate sobre a atuação da Justiça.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o salário já estava suspenso desde a prisão, em 18 de março, e a aposentadoria não impede que haja responsabilização penal ou disciplinar. Na prática, isso significa que o caso pode caminhar para a perda definitiva da remuneração, caso haja decisão judicial definitiva. Enquanto isso, o cenário atual é de salário com cobertura integral, ao menos até novas medidas legais.

Os números ajudam a ilustrar o contraste: em fevereiro de 2026, o coronel recebeu um salário bruto de R$ 28.946,81, acrescido de um abono de R$ 2.995,43, totalizando uma realidade financeira muito superior ao que recebia Gisele, cuja remuneração era de R$ 7.222,33 mensais. A aposentadoria, contudo, foi oficializada na mesma semana em que o secretário da SSP, Osvaldo Nico Gonçalves, determinou a abertura de um conselho para avaliar a possível demissão do oficial.

Para a família, a medida alimenta a sensação de impunidade. O pai, José Simonal Telles, afirmou que a aposentadoria foi concedida com rapidez exagerada diante da dor causada pela perda da filha, destacando a distância entre o luto e a rotina de um eventual retorno ao serviço. A mãe, Marinalva Vieira Alves de Santana, também se manifestou, reforçando o sentimento de impotência diante do que vivenciam. Questionou, ainda, se o Estado deveria arcar com a remuneração do investigado, apontando a disparidade entre a dor da família de Gisele e a proteção financeira que recai sobre o acusado.

Na prática, o caso segue sob as lentes da sociedade que observa cada passo das autoridades, com desdobramentos que podem incluir novas ações disciplinares ou mesmo a revisão da situação administrativa do oficial. O peso da decisão não é apenas institucional: reflete a percepção pública sobre justiça, punição e reparação para quem profissionais da segurança pública.

Leia também: avanços, desdobramentos e impactos do caso são acompanhados pela atenção da comunidade, que busca equilíbrio entre a verdade dos fatos e os direitos processuais, sempre com o objetivo de resguardar a confiança na instituição.

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Jornalista

Carlos Ribeiro

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