Como estava a disputa Lula x Bolsonaro em março de 2022, segundo o Datafolha
Nova pesquisa nacional do instituto sobre a eleição presidencial será publicada nesta quinta-feira, 5
O cenário eleitoral volta a ganhar destaque com a expectativa de uma nova leitura do Datafolha. Olhando para março de 2022, ficou claro que Lula era o favorito no início daquele ciclo: no primeiro turno, ele alcançava 43% das intenções de voto, contra 26% de Jair Bolsonaro, o que deixava uma folga de 17 pontospercentuais. A distância se aproximava do patamar que separava o petista do terceiro colocado, então Sergio Moro, com 8%.
No confronto direto, a vantagem de Lula era ainda mais expressiva: 55% contra 34%54% para Lula e 32% para Moro.
Já no dia da votação, os números mostraram outra face: no primeiro turno, o petista ficou com 48% dos votos, frente aos 43% de Bolsonaro. Na segunda rodada, Lula consolidou vitória com 51% do eleitorado, ante 49% do então presidente. Em síntese, o cenário de 2022 apresentava margens robustas no contato direto, mas que deveriam se sustentar diante de novas combinações e cenários futuros.
No atual momento, o jogo mudou de formato. Hoje, com o Brasil sob novo governo, Lula enfrenta desafios bem maiores para consolidar a posição diante do bolsonarismo, hoje representado pelo senador Flávio Bolsonaro. Entre fevereiro e março de 2026, as leituras de primeiro turno variam conforme o instituto: Real Time Big Data aponta 39% para Lula e 32% para Flávio Bolsonaro; Paraná Pesquisas traz 39,6% contra 35,3%; AtlasIntel/Bloomberg registra 45,3% versus 39,1%; e Genial/Quaest vem com 35% x 29%. Em todos esses cenários, a vantagem não aparece de forma absoluta, sinalizando uma disputa muito menos previsível que quatro anos atrás.
Quando o assunto é segundo turno, a maioria das leituras aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, com exceção da pesquisa Quaest. Na prática, vemos: Real Time Big Data 42% a 41%; Paraná Pesquisas 44,4% a 43,8%; AtlasIntel/Bloomberg 46,3% a 46,2%; e Genial/Quaest 43% a 38%. Ou seja, as margens caminham perto do equilíbrio, o que indica uma eleição com potencial de viradas até o último minuto.
A Datafolha, que costuma ser referência neste tipo de comparação, traz dados relevantes no fim do ano passado: as entrevistas foram coletadas até 4 de dezembro de 2025, véspera da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Nessa leitura, o primeiro turno mostrava Lula com 41% e Bolsonaro com 18%, enquanto a simulação de segundo turno apontava Lula com 51% ante 36% de Bolsonaro. No dia a dia, isso tudo indica que o cenário mudou bastante desde 2022, com novas dinâmicas políticas e o desgaste/recuperação de apoio ao longo dos anos.
Ou seja, a história do pleito mudou de tom: de uma liderança estável de Lula em 2022 para um campo mais competitivo em 2026, onde a leitura de intenções de voto depende fortemente do flags da semana, das alianças que surgem e das estratégias de comunicação adotadas pelos dois lados. E no fim das contas, o que isso significa para você, leitor? Que a hora de acompanhar cada pesquisa é agora, porque as tendências parecem menos previsíveis do que em qualquer outro momento recente.