Eduardo Bolsonaro diz que Tarcísio ‘não tem a opção de ir contra’ candidatura de Flávio
O ex-deputado federal sustenta que o governador de São Paulo precisa manter o alinhamento com o projeto presidencial do clã Bolsonaro; cenário aponta disputa rápida entre Lula e Flávio, com o próprio Tarcísio sob atenção dos bastidores.
Em entrevista ao Jornal Razão, Eduardo Bolsonaro afastou qualquer possibilidade de Tarcísio de Freitas tomar um caminho que vá na contramão da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Segundo ele, deixar esse eixo de lado seria enfrentar críticas internas e até ser comparado a figuras do passado, como o ex-governador João Doria.
Além disso, o ex-deputado ressaltou que Tarcísio é visto como alguém inteligente, o que, na prática, o leva a não trilhar esse caminho. O papel de governador de São Paulo é estratégico, avalia, e quem cumpre dois mandatos bem avaliados tende a projecionar seu nome para a Presidência por décadas.
Na leitura de Eduardo, o desenho político entre Flávio e Tarcísio já está definido, e o irmão do senador é descrito como um político habilidoso, articulado. Mais cedo ou mais tarde, segundo ele, ficará claro ao eleitor que Flávio é o candidato com chances de chegar à Presidência.
Para o ex-parlamentar, o cenário aponta Lula contra Flávio Bolsonaro na corrida ao Planalto. Caso Tarcísio tente algum movimento diferente para se tornar candidato, o risco é se equiparar ao histórico de João Doria e perder a linha de frente da aliança.
O histórico de rupturas dentro do bolsonarismo ganhou força desde que Tarcísio abriu mão de uma leitura mais dura com o presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de covid-19, uma posição que, na prática, alimentou a percepção de que o governador paulista poderia ter caminhos próprios no futuro. Eduardo reforça que, no cenário atual, Flávio está com a candidatura definida para a Presidência, enquanto Tarcísio deverá buscar a reeleição em São Paulo; há ainda quem aponte Ratinho Júnior, do Paraná, como opção presidencial, ainda que com chances menores.
O tom polarizado da conjuntura é destacado por quem acompanha o dia a dia político, e os movimentos recentes não mudaram esse clima. As declarações de Eduardo ocorreram depois de a visita de Tarcísio ao ex-presidente ter sido adiada por compromissos no estado, com a agenda oficial do governo registrando apenas despachos internos.
Segundo interlocutores, o recuo teria ocorrido após Tarcísio ponderar que o diálogo poderia abrir espaço para cobranças públicas por um posicionamento mais enfático a favor da candidatura de Flávio. Apesar de manter publicamente o foco na disputa pela reeleição em São Paulo, bastidores já o apontam como possível nome da direita para o Palácio do Planalto neste ano.
Entre aliados, o desconforto com as pressões para uma manifestação mais clara de apoio ao projeto presidencial de Flávio se tornou evidente. Em conversas reservadas, a percepção é de que nenhum ato de alinhamento tem satisfação suficiente para esse grupo manter o discurso único de apoio ao compatriota.
Após o recuo, Tarcísio também passou a enfrentar críticas de bolsonaristas, inclusive do vice-prefeito de Brasília, Mello Araújo (PL). Nos seus discursos recentes, o governador tem priorizado o que faz no Estado, tentando evitar leituras de concorrência com o senador e buscando manter distância de ataques por parte de filhos do ex-presidente.
A relação entre Eduardo e Tarcísio já trazia ruídos antes de o debate presidencial de 2026 ganhar contornos mais acentuados, mas a fronteira entre os dois se revelou mais tensa nos últimos tempos, especialmente depois de a atuação de Eduardo nos Estados Unidos em defesa de sanções ao governo norte-americano ter sido alvo de críticas entre apoiadores de Bolsonaro. Na época, Tarcísio comentou a aliados que Eduardo se tornou o maior cabo eleitoral de Lula e que estaria fazendo “gol contra” com frequência.