Xi Jinping assegura apoio da China a Lula em tempos conturbados

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Xi Jinping garante a Lula apoio da China em tempos “turbulentos”

Em telefonema, China reafirma parceria com Brasil, defendendo multilateralismo, UN e cooperação estratégica no cenário internacional em mudança.

Em um movimento que reforça as alianças do Sul Global, o presidente Xi Jinping telefonou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assegurar que a China apoiará a maior economia da América Latina e do conjunto dos países do Sul. O recado chegou acompanhado do compromisso de manter o papel das Nações Unidas e de sustentar a cooperação multilateral em meio a uma ordem internacional descrita como turbulenta. No relato das autoridades chinesas, a conversa serviu para reafirmar a importância de tantas vozes que defendem um sistema global mais estável e justo.

Segundo uma nota divulgada pela agência Xinhua, o diálogo ocorreu após as críticas de Lula ao recente ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que Lula havia comentado em um artigo publicado no New York Times. Em resumo, Xi reforçou que China e Brasil compartilham a visão de que a cooperação entre as duas maiores economias emergentes deve sustentar o papel da ONU na condução de temas globais, preservando a paz e a estabilidade internacional.

Em nota pública do Palácio do Planalto, Lula destacou que Brasil e China ocupam papéis centrais na defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre comércio. A leitura compartilhada é de que a defesa da ONU é um caminho para a paz global, e, por isso, os dois líderes concordaram em manter uma coordenação frequente em temas da agenda bilateral, bem como de interesse regional e global. A ideia é manter o ritmo de diálogo para enfrentar os desafios do cenário internacional, sem perder de vista os laços de amizade e cooperação.

O telefonema acontece justamente em um momento em que rumores de mudanças na ordem mundial circulam com destaque, com menções de que o ex-presidente americano Donald Trump busca criar um “Conselho da Paz” liderado por ele, o que muitos consideram uma tentativa de contornar o papel da ONU. As conversas entre Lula e Xi também se deram em meio a desdobramentos envolvendo a situação na Venezuela, que adicionam camadas de complexidade às relações entre potências globais e seus aliados.

Na prática, as declarações de Xi apontam para uma disposição de manter-se ao lado de países da América Latina e do Caribe, com promessas de linhas de crédito, investimentos e apoio técnico para projetos de infraestrutura. O líder chinês ressaltou publicamente que A China está disposta a continuar sendo uma boa amiga e parceira dos países da região, enfatizando que a cooperação bilateral pode caminhar lado a lado com iniciativas estratégicas mais amplas.

Um dos marcos citados como exemplo dessa parceria é a linha de ações estratégicas que, em 2024, buscou alinhar a iniciativa Nova Rota da Seda aos planos do Brasil em áreas como agricultura, infraestrutura e transição energética. Segundo Xi, esse tipo de cooperação demonstra a solidariedade entre os países do Sul Global e a disposição de avançar juntos em direção a soluções de longo prazo que beneficiem a população.

Para o leitor comum, o recado é claro: mesmo em tempos de incerteza, surgem sinais de que Brasil e China pretendem ampliar a cooperação para além de comércio — com foco em crédito, investimentos e projetos que alavanquem o desenvolvimento sustentável. Além disso, a mensagem enfatiza que o fortalecimento do multilateralismo e do papel da ONU continua sendo uma âncora para a estabilidade regional e global.

  • Compromisso com o multilateralismo e com o respeito ao direito internacional
  • Coordenação frequente entre Brasil e China em agenda bilateral e regional
  • Investimentos, crédito e cooperação em infraestrutura e transição energética

No fim das contas, a leitura aponta para uma parceria pragmática entre Brasil e China, moldada pela crise e pela oportunidade ao mesmo tempo. Em tempos de turbulência, esse alinhamento parece apontar para uma agenda comum que fortalece o papel dos dois países no cenário mundial e oferece ao público caminhos concretos de desenvolvimento.

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Jornalista

Ana Martins

Designer de interiores apaixonada por achados acessíveis. Adora transformar espaços sem estourar o orçamento e compartilhar cada descoberta.

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