Terceiro navio ligado à Venezuela é alvo dos EUA em meio a tensões

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Terceiro navio ligado à Venezuela é alvo de ação dos EUA em meio à escalada de tensões

As autoridades americanas já apreenderam dois navios-petroleiros neste mês — um deles no sábado. Maduro afirmou que Venezuela enfrenta “uma campanha de agressão de terrorismo psicológico e de corsários que assaltam petroleiros”

Na prática, a Guarda Costeira dos EUA mantém uma perseguição ativa neste fim de semana a mais um navio-tanque em águas internacionais próximas da Venezuela. Segundo uma autoridade norte‑americana, a notícia foi confirmada à CBS News, parceira da BBC nos EUA, em meio a uma escalada de tensões na região.

Além disso, já era conhecido que duas embarcações petroleiras tinham sido apreendidas neste mês, incluindo um caso ocorrido no sábado. A perseguição deste domingo parece estar conectada a uma embarcação da chamada frota fantasma sancionada, acusada de atuar na evasão de sanções contra a Venezuela. Ela navega sob bandeira falsa e está sob ordem judicial de apreensão.

No entendimento de Washington, navios que saem da Venezuela integram redes usadas para driblar restrições, indicam registros oficiais. Em boa prática, essas embarcações trocam de bandeira, desativam sistemas de rastreamento e realizam transferências de carga em alto-mar, dificultando a identificação de suas trajetórias.

No dia em que a ação ganhou fôlego, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, salientou que o país encara “uma campanha de agressão de terrorismo psicológico e de corsários que assaltam petroleiros” e afirmou estar pronto para acelerar a marcha da chamada Revolução profunda.

  • Mais de 30 dos 80 navios em águas venezuelanas ou a caminho do país estavam sob sanções dos EUA, segundo levantamento do TankerTrackers.com.
  • A apreensão de sábado envolveu um navio-tanque com bandeira do Panamá, interceptado por uma equipe tática em águas internacionais. Embora não constasse na lista de sanções do Tesouro, Washington afirmou que ele transportava “petróleo sancionado da PDVSA”.
  • Registros analisados pela BBC Verify indicam que, ao longo de sua trajetória, a embarcação já navegou sob bandeiras da Grécia e da Libéria.

A Venezuela disse que tais ações não ficarão sem resposta: o governo informou que apresentará queixa ao Conselho de Segurança da ONU e a outros organismos internacionais, além de governos do mundo. Enquanto isso, o país continua contando com a receita gerada pelo petróleo para sustentar as contas públicas, o que faz da questão um ponto central de atrito com Washington.

Nos últimos tempos, os Estados Unidos têm ampliado a presença militar no Caribe e realizado ataques que, segundo autoridades americanas, vilam veículos venezuelanos de suposto tráfico de drogas, com relatos de mortes. Contudo, não há, publicamente, provas apresentadas de forma inequívoca de que aquelas embarcações transportavam entorpecentes, e as ações vêm sendo alvo de escrutínio no Congresso. A administração, por sua vez, atribui a Maduro o protagonismo de uma organização designada como terrorista, o Cartel de los Soles, uma acusação que o governo venezuelano nega.

Em resumo, a pergunta que fica é a mesma de sempre: o que realmente muda para o cidadão comum com esse tipo de operação? A cada nova apreensão, cada bloqueio e cada discurso oficial, o cenário internacional parece ganhar contornos cada vez mais tensos, lembrando que, no fim das contas, a energia que abastece o dia a dia de muitos depende de decisões que vão além das águas do Caribe.

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Jornalista

Lucas Almeida

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