Quase 40 pessoas marcaram um mês desde a captura de Maduro

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Cerca de 40 pessoas assinalaram um mês da captura de Maduro

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No Porto, cerca de 40 pessoas reuniram-se nesta terça-feira para marcar um mês desde a detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro, ocorrido na madrugada de 3 de janeiro, em meio a uma operação que, segundo os organizadores, envolveu forças norte-americanas. A iniciativa foi promovida pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) e apontou para o que chamam de interesse de Washington em recursos venezuelanos, associando petróleo, ouro e outros bens à agenda externa dos EUA.

A leitura de declarações durante o encontro destacou que Maduro e a esposa, Cilia Flores, teriam sido removidos de casa, em Caracas, pela força, sendo transferidos para Nova Iorque, onde permanecem detidos, sob acusações de tráfico de droga, corrupção e branqueamento de capitais — acusações que ambos negam.

Questionada sobre se o que ocorreu no último mês pode servir de alerta para o mundo, a responsável comentou: “já temos a Gronelândia debaixo do olho dos EUA”, acrescentando que, na visão dela, “é o Donald Trump a dizer: sou o senhor, eu é que vou ditar as leis”. Em sua leitura, não se trata de democracia, mas de um claro imperialismo norte‑americano.

O evento, intitulado “Fim à agressão dos EUA à Venezuela – Solidariedade para com os povos da América Latina”, foi organizado para manter viva a lembrança do que, segundo os organizadores, foi o rapto ocorrido há um mês e para reforçar a oposição a intervenções externas na região.

Para Manuela Branco, o ataque à Venezuela não visou impor uma suposta democracia, mas facilitar a apropriação de recursos como petróleo, ouro e demais bens produtivos do país. Além disso, a dirigente lembrou que o bloqueio histórico a Cuba também tem impactos duradouros sobre o povo cubano, apontando para a continuidade de pressões nessa linha de atuação.

Entre as referências apresentadas, houve menção a declarações associadas a Trump, com a ideia de que a pressão sobre a América Latina estaria longe de terminar. O tom, segundo os organizadores, aponta para uma leitura de que não há espaço para recuo, nem para mudanças significativas no eixo de poder regional.

No conjunto de relatos, também aparece um elemento que costuma marcar o cotidiano midiático: a menção a um episódio de podcast ligado a temas de seitas, promovido pelo Observador. O material, intitulado “Os segredos da seita do yoga”, é apresentado como uma série de seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com trilha original de Benjamim, disponível no site da publicação, bem como na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube Music. E há a indicação de que é possível ouvir aqui o primeiro episódio.

Em resumo, o ato no Porto amplia o debate sobre o que chamam de ingerência externa e reitera a percepção de que as decisões internacionais envolvendo a Venezuela reverberam no dia a dia de quem, no Brasil, acompanha de perto as disputas geopolíticas e seus impactos regionais.

O que fica para nós, leitores é a pergunta sobre o limite entre intervenção internacional e soberania nacional, bem como o entendimento de que o tema envolve não apenas líderes, mas também recursos, economia e o cotidiano de quem busca informações para formar opinião. No fim das contas, é sobre como o mundo decide quem dita as regras e até que ponto isso nos atinge no dia a dia.

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Jornalista

André Santos

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