PT solicita apuração do MPSP sobre contas do vice de Tarcísio em Andorra
PT aciona Ministério Público de São Paulo para que apure suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Felício Ramuth e a mulher em Andorra
O PT apresentou, nesta quarta-feira (25/2), uma representação ao MPSP pedindo que o órgão examine supostas ilicitudes administrativas, civis e de improbidade envolvendo o vice-governador Felício Ramuth (PSD). Ele e a esposa Vanessa Ramuth são alvo de apuração em Andorra por possível lavagem de dinheiro no montante de US$ 1,6 milhão, conforme revelação da Metrópoles.
Ramuth nega irregularidades. “Se existem divergências que pedem explicação em Andorra, país situado entre a França e a Espanha, nada mais adequado que ele se explique ao MPSP do estado em que ocupa o cargo”, afirmou o autor do protocolo, o deputado Paulo Fiorilo (PT-SP).
Um relatório da Unidade de Inteligência Financeira de Andorra, obtido pela Metrópoles, aponta suspeita de “delito grave de branqueamento de capitais” pela falta de comprovação da origem do dinheiro na conta do casal no AndBank, que teria recebido recursos transferidos de uma offshore aberta no Panamá chamada Visio Corporation LTD S.A., em nome da esposa do vice.
Ao Metrópoles, Ramuth assegura que a origem dos recursos foi comprovada à Justiça de Andorra e que a empresa panamenha foi declarada à Receita Federal do Brasil. “Os recursos existem, têm origem lícita, inclusive anterior à minha trajetória política, e estão devidamente declarados”, sustenta o vice-governador. Segundo ele, a investigação não envolve acusações formais contra ele ou a esposa, e sim sobre o banco AndBank. Os esclarecimentos já teriam sido prestados à Justiça de Andorra, com envio de cópia da declaração de Imposto de Renda no Brasil.
A defesa do vice-governador pediu o arquivamento da cooperação internacional no STJ, alegando que o objeto se esgotou após os depoimentos presenciais feitos no país europeu.
No fim das contas, Ramuth aparece como um dos nomes mais cotados para compor a chapa de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na corrida eleitoral deste ano.
Segundo o relatório das autoridades de Andorra, a movimentação financeira suspeita ocorreu entre 2009 e 2011, período em que Ramuth atuava como secretário de Transportes de São José dos Campos, cidade-chave do Vale do Paraíba, antes de se tornar vice de Tarcísio em 2023.
No começo de 2025, a Justiça de Andorra solicitou cooperação jurídica internacional ao governo brasileiro, abrindo caminho para a tramitação no STJ. No ano anterior, Ramuth e Vanessa viajaram ao principado para depor. Em 9 de maio de 2023, quando Ramuth já era vice-governador, a Justiça de Andorra bloqueou US$ 1,4 milhão na conta do casal, aberta em outubro de 2009, mesma data da offshore no Panamá.
Na campanha de 2022, Ramuth declarou à Justiça Eleitoral um total de R$ 1,4 milhão em bens, distribuídos entre R$ 9,3 mil em conta no Brasil, R$ 67 mil em dinheiro e nenhum valor fora do país. O segundo turno entre promessas e polêmicas segue a mil por hora, e o leitor fica curioso: o que tudo isso muda no dia a dia?
O que diz Felício Ramuth
Procurado, Ramuth sustenta que os recursos apontados pelas autoridades de Andorra são de origem lícita e declarados à Receita Federal, assim como a empresa panamenha declarada no Brasil. “Os recursos existem, têm origem lícita, inclusive anterior à minha trajetória pública, e estão devidamente declarados”, reiterou. Segundo ele, a investigação não envolve acusações formais contra ele ou a esposa e os esclarecimentos já foram prestados à Justiça de Andorra, com envio de documentação pertinente.
A defesa do vice também reforçou que o objetivo da cooperação internacional, no STJ, estaria já esvaziado pelos depoimentos realizados.