Polícia reforça rondas na Venezuela; oposição desconfia da nova líder

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Polícia reforça patrulhas na Venezuela e oposição diz que nova líder ‘não é confiável’

María Corina Machado critica Delcy Rodríguez enquanto o ministro do Interior envia forças para as ruas de Caracas

Logo após a deposição de Nicolás Maduro, ocorrida por meio de uma intervenção que contou com apoio externo, a repressão na Venezuela ganhou mais tração. O Diosdado Cabello, à frente das operações de segurança, passou a coordenar patrulhas fortemente armadas pela capital, Caracas, enquanto relatos indicam buscas em celulares e detenções de jornalistas. A oposição celebra o que vê como avanço, mas Maduro se apresenta como “preso de guerra” em uma audiência em Nova York, reforçando a crise em curso.

Na prática, uma série de conteúdos publicados pelo ministro mostra Cabello posando ao lado de agentes, com muitos portando armas, enquanto comanda o reforço de segurança na cidade. O grito de ordem entre as forças de segurança é claro: lealdade acima de tudo, com a ideia de que dúvidas significam traição.

Nas ruas de Petare, a maior favela de Caracas, há relatos de homens encapuzados e armados patrulhando e apreendendo celulares para buscas por palavras que apareçam nas conversas do WhatsApp. Diversos pontos de controle militar surgiram pela cidade, e viajantes estrangeiros encontram barreiras para entrar. O Sindicato dos Jornalistas e Trabalhadores da Mídia comunicou que 14 profissionais da área foram detidos pela manhã, embora tenham sido liberados pouco tempo depois.

Mais cedo, a líder da oposição, María Corina Machado, que está exilada desde novembro para receber o Prêmio Nobel da Paz em Oslo, descreveu a detenção de Maduro como “um grande passo para a humanidade, para a liberdade e para a dignidade humana” durante entrevista à Fox News. Em seguida, ela acrescentou que a presidente interina, Delcy Rodríguez — que ocupava o cargo de vice de Maduro — “não é confiável”. A posição de Rodríguez é vista no exterior como pragmática, moldada por uma trajetória ligada aos governos de Chávez e do sucessor, mas com leitura pouco estável no dia a dia da política venezuelana.

De acordo com Machado, o status de governo interino tem sido alvo de forte apoio entre aliados, incluindo menções de que medidas duras podem receber apoio externo para “reconstruir” o país. O exército de opiniões no exterior também girou em torno de uma cobrança de liberação de Maduro, enquanto outro lado aponta para um cenário de tensão institucional em que interesses divergentes se cruzam de forma cada vez mais explícita.

No sábado, o presidente Donald Trump afirmou que a líder interina está “essencialmente disposta a fazer o que for necessário para tornar a Venezuela grande novamente”. No entanto, no mesmo dia, Machado pediu a libertação de Maduro, sinalizando uma linha de confronto entre as lideranças. Já em Nova York, Maduro declarou inocência em várias acusações de tráfico de drogas e porte ilegal de armas, insistindo ser um “presidente sequestrado” e um “prisioneiro de guerra”.

Na prática, a escalada de repressão se instala no cotidiano das ruas venezuelanas, afetando não apenas a dinâmica entre governo e oposição, mas também o dia a dia de quem vive em Caracas e em cidades vizinhas. Por meio de ações de segurança mais agressivas, o país vive um momento de tensão e de leitura ampliada sobre o que vem a seguir para a sociedade civil.

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Jornalista

Mariana Silva

Personal organizer que adora soluções práticas para casa. Especialista em maximizar espaços pequenos com produtos inteligentes.

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