Opositor sequestrado por armados após libertação, diz filho

Ouvir esta notícia

Quem é o opositor venezuelano ‘sequestrado por pessoas armadas’ logo após ser libertado da prisão, segundo seu filho

Quase 12 horas depois de ter sido libertado na Venezuela, Guanipa foi sequestrado por homens armados, segundo denunciou sua família

Horas depois de deixar a prisão, Juan Pablo Guanipa, 61 anos, líder da oposição e advogado de longa data, teve a notícia de novo abalada por uma denúncia de sequestro feita por seu filho, Ramón Guanipa, nas redes sociais. Conforme o relato, o grupo que o teria levado embora seria composto por aproximadamente 10 pessoas não identificadas, todas vestidas de forma irregular. A mensagem divulgada pela família pede prova de vida e a libertação imediata do opositor, que recentemente havia recebido liberdade após oito meses de cárcere.

Logo em seguida, a oposição ganhou apoio de outras vozes. A líder da oposição, María Corina Machado, também denunciou o ocorrido em suas redes, descrevendo que Guanipa foi abordado por homens fortemente armados, à paisana, no bairro Los Chorros, em Caracas, e levado à força. Ela reforçou o apelo por sua libertação sem demora.

O Partido Primeiro Justiça, legenda de Guanipa, embasou a acusação afirmando que ele fora sequestrado por órgãos repressivos da ditadura e responsabilizou diretamente figuras do governo, entre elas Delcy Rodríguez, Jorge Rodríguez e Diosdado Cabello, por qualquer dano à vida do líder oposicionista. A mensagem ganhou eco entre apoiadores, que já vinham acompanhando o desdobramento político do país.

Pouco depois, a Procuradoria-Geral da Venezuela divulgou um comunicado confirmando que Guanipa havia sido novamente detido, a pedido do próprio órgão. O texto enfatiza que foi verificado o descumprimento das condições impostas para a libertação anterior, o que motivou a revogação da medida cautelar concedida ao cidadão.

Enquanto isso, o debate sobre liberdades de expressão e restrições ao contato com a imprensa segue no centro das atenções. Na prática, o histórico de entrevistas sob esse tipo de acordo costuma ser restritivo, e Guanipa acabou rompendo esse pacto ao falar publicamente. No dia a dia, esse tipo de decisão acende o debate sobre quais caminhos a oposição pode seguir diante dePressões judiciais.

Em nota adicional, a Procuradoria informou ter solicitado ao tribunal competente a revogação da medida cautelar, com base no descumprimento das condições impostas. Além disso, o órgão também afirmou ter encaminhado ao tribunal a solicitação de que Guanipa fosse submetido a prisão domiciliar, configurando mais uma etapa de como o governo busca restringir movimentos da liderança oposicionista.

No meio disso tudo, Guanipa reapareceu: foi libertado horas antes, após quase um ano e meio de prisão. Quem confirmou foi seu filho Ramón, por volta do meio-dia, em publicação na X. Em seguida, circulou um vídeo do próprio Guanipa já livre, em que ele afirma estar saindo em liberdade e diz que há muito a falar sobre o presente e o futuro da Venezuela, sempre prometendo manter a verdade à frente.

Não foi apenas o caso de Guanipa que chamou a atenção neste domingo. Segundo a ONG Foro Penal, houve pelo menos 35 libertações de presos políticos verificadas; e, entre esses liberados, pelo menos seis integram equipes e comandos de campanha associadas a Maria Corina Machado, ampliando o impacto político do movimento.

A trajetória de Guanipa, advogado e ex-deputado da Assembleia Nacional, tem sido marcada por posições públicas firmes desde o início da crise venezuelana. A prisão dele ocorreu em maio de 2025, dois dias antes das eleições regionais e legislativas, momento em que o governo exibiu imagens da captura em coletiva de imprensa. A oposição denunciou fraude nas eleições de julho de 2024, apresentando atas que teriam sustentado a vitória de Edmundo González.

Segundo dados da ONG, ao menos 1.800 pessoas foram detidas nos dias que se seguiram às eleições de 2024. Em meio à narrativa de repressão, o governo descreveu ações de segurança extremas, associadas à chamada “Operação Tun Tun”. A partir de então, a ONG apontou números que reforçam a percepção de tensões e de uso da justiça como instrumento de controle político.

Desde o início da intervenção internacional anunciada pelos Estados Unidos, as libertações passaram a ocorrer em maior volume, com o governo venezuelano anunciando que dezenas de detidos teriam ganhado a liberdade. A presidente interina Delcy Rodríguez afirmou que, nesse período, mais de 600 presos teriam sido libertados, embora a ONG Foro Penal sustente que esse número foi inflado. Relatórios observam que, até 8 de janeiro, 158 detidos já tinham saído, e, em 26 de janeiro, outras 110 foram libertadas. Entre os beneficiados, Guanipa está incluído, somando-se a outras 35 liberações naquela manhã.

Entre os libertados naquele domingo, figuram nomes como o advogado Perkins Rocha, da equipe jurídica de Machado; Dignora Hernández, secretária política do Vente Venezuela; María Oropeza, chefe do Comando ConVenezuela e coordenadora do Vente Venezuela no estado de Portuguesa; Luis Tarbay, coordenador das equipes internacionais do comando; e Catalina Ramos, coordenadora nacional de associações cidadãs do Vente Venezuela.

No balanço, o retorno de Guanipa é visto como um marco entre uma leva de libertações que domina o cenário político e o cotidiano dos venezuelanos. No fim das contas, a polarização segue acesa, com desdobramentos que vão impactar a estratégia da oposição e a dinâmica do poder no país.

O que achou deste post?

Jornalista

Renata Oliveira

AO VIVO Sintonizando...