As ‘portas abertas’ para Pacheco no MDB e a sabatina de Messias no Senado
Governistas do partido buscam solução para reaproximar Lula de Davi Alcolumbre e destravar indicação ao Supremo
No MDB, o assunto ganhou consistência: dirigentes foram até o Palácio do Planalto para sinalizar que o senador Rodrigo Pacheco tem espaço aberto para se filiar e entrar na corrida ao governo de Minas Gerais, desde que haja o entendimento de que a manobra também pode abrir caminho para a aprovação de Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal. Além de fortalecer o palanque estadual de Lula, a leitura mais otimista é a de que o acordo poderia destravar a discussão sobre o nome de Messias, enfrentando a resistência de Davi Alcolumbre.
Hoje, Pacheco atua no PSD, mesma sigla do governador mineiro Matheus Simões, que assumiu após a renúncia de Romeu Zema (Novo.); Simões tem um acordo para ser o nome da legenda na disputa pelo Palácio Tiradentes. Se esse encaixe der certo, o alcance não ficaria restrito a Minas: a iniciativa pode se tornar um passo decisivo para o destino da indicação de Messias ao STF, alinhando o apoio de Alcolumbre, que passaria a atuar a favor da nomeação no Senado.
No recorte político, Lula tratou da pauta em uma conversa reservada na última terça: perguntou como o MDB está estruturado em cada estado, inclusive em Minas. Em dezembro, os senadores Eduardo Braga (AM) e Renan Calheiros (AL) já haviam levado a ele a ideia de escolher um nome da sigla para compor a chapa como vice — uma hipótese que não avançou. Os emedebistas reforçam que, antes de qualquer movimento interno para angariar votos a favor de embarcar na candidatura de Lula, seria indispensável o convite formal do presidente da República.
Da bancada às “barrigas” da política, o plano — se confirmada a boa vontade entre as partes — seria incluir o MDB de passagem em uma dobradinha estratégica: manter o palanque de Pacheco em Minas e, ao mesmo tempo, abrir espaço para Messias no STF na primeira vaga aberta em eventual novo mandato de Lula. Nesse cenário, Alcolumbre passaria a atuar de forma menos contrária à indicação, o que ajudaria a pavimentar o caminho do advogado-geral da União para a Corte. No dia a dia, essa costura representaria ganho de tempo e de mobilização para o governo petista.
Já no aspecto institucional, Messias precisa vencer duas etapas para chegar ao plenário: sabatina na CCJ e votação no plenário do Senado. A oposição de Alcolumbre transforma o percurso em um desafio que, na prática, beira o quase impossível caso ele decida remar contra a indicação. Mesmo assim, a tal estratégia de reaproximação pode manter a discussão viva, dando a Lula a possibilidade de consolidar alianças internas que garantam apoio ao nome escolhido para a Suprema, caso haja porta aberta para o acordo.
Por fim, fica a pergunta que fica no ar: até onde essa costura pode mexer com o cenário político de curto prazo? No fim das contas, o que está em jogo é a montagem de uma base que sustente o palanque estadual de Lula e, ao mesmo tempo, garanta condições para o eventual avanço de Messias no STF — um movimento que, para o eleitor comum, pode significar uma mudança de leitura sobre o equilíbrio de forças no cenário judicial e político brasileiro.