Lula indica manter chapa com Alckmin em 2026, em encontro

Ouvir esta notícia

A reunião em que Lula sinalizou que repetirá chapa com Alckmin em 2026

“Em time que está ganhando não se mexe”, disse Lula durante encontro com o vice-presidente

No Palácio do Planalto, o presidente Lula reuniu-se nesta semana com o vice-presidente e traçou o cenário para 2026, sinalizando claramente a tendência de manter a composição vitoriosa com Geraldo Alckmin na vice-presidência. O tom foi de pragmatismo e busca por estabilidade política e eleitoral, alinhado ao ditado repetido por Lula: “em time que está ganhando não se mexe”.

Na prática, o encontro funcionou como um esboço de estratégia para as eleições, especialmente no cenário paulista. Lula apresentou dois cenários para as próximas disputas: no primeiro, a aposta recai sobre o governador Tarcísio de Freitas na busca pela reeleição, com Haddad tendo espaço para concorrer ao Senado. Se a opção de Tarcísio for disputar a Presidência, o ministro da Fazenda aparece, para o presidente, como a melhor opção do PT para o Palácio dos Bandeirantes, mesmo diante de grandes chances de derrota. Haddad, por sua vez, tem se mostrado hesitante em se voluntariar para o que muitos já chamam de sacrifício eleitoral.

Além disso, o PT também avalia que Alckmin talvez não esteja disposto a encarar o desafio de uma nova empreitada na cidade ou no estado, enquanto o PSB já tem um pré-candidato para o governo paulista, o ex-governador Mário França. Nesta parte, a reunião reforçou a ideia de que a permanência de Alckmin na chapa ajudaria a evitar turbulências políticas, de acordo com diferentes leituras feitas pelos interlocutores de Lula. O PSB, por sua vez, comemorou a leitura de que a aliança seria uma forma de manter a linha de estabilidade na disputa nacional e estadual.

Para entender o mosaico de possibilidades, vale mencionar também as vozes que o encontro abriu. Jonas Donizette, líder do PSB na Câmara, afirmou que a relação entre Lula e Alckmin tem gerado confiança mútua e que esse essa convergência tem permitido que o governo avance com uma estratégia mais previsível, ainda que seja preciso conviver com cenários de incerteza eleitoral.

Já no campo interno do PT, surgem alternativas para substituir Alckmin, caso haja necessidade de alterações. Entre os nomes citados aparecem Josué Alencar, ex-presidente da Fiesp e filho de José Alencar, visto como ponte com o empresariado; Helder Barbalho, do MDB, apontado como possível executor de uma missão de centro; e até mesmo a hipótese de manter uma chapa mais ostensiva, com Haddad ocupando a função de vice, caso haja um cálculo de idade de Lula — ele completou 80 anos recentemente. Em todo caso, a decisão final fica por conta de Lula, e tudo indica que o processo já está encaminhado para uma escolha que combine afinidades com o objetivo de manter a governabilidade.

No fim das contas, o que se lê é um mea-culpa pela necessidade de manter o equilíbrio entre cenários nacionais e regionais, com a clara prioridade de evitar turbulências que possam comprometer a agenda de governo. Para quem acompanha o dia a dia político, a pergunta que fica é simples: como isso impacta o eleitor comum, que busca projeções de estabilidade, empregos e qualidade de vida?

O que achou deste post?

Jornalista

André Santos

AO VIVO Sintonizando...