Laços, tensões e negociações: Lula comenta a escala 6×1, Venezuela, Trump e o acordo UE-Mercosul
Presidente diz estar preparado para a redução da jornada de trabalho e discute com Trump e Maduro a escalada de tensão na região
Em entrevista a jornalistas no dia 18 de dezembro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou uma série de temas que ocupam a cena internacional e também a vida cotidiana no Brasil. Entre eles, a recente tensão na fronteira com a Venezuela, as informações sobre o acordo UE-Mercosul e o debate que envolve a possível conclusão da escala de trabalho 6×1. O tom foi de cautela e possibilidade de diálogo, sempre destacando a importância de evitar conflitos e buscar soluções diplomáticas.
Sobre o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, Lula citou uma reviravolta: segundo o que circula entre as capitais, a assinatura não ocorreria mais na data prevista, ganhando espaço para janeiro. A notícia publicada pelo Politico aponta que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comunicou aos líderes europeus que o acordo só sairia do papel no próximo mês. A explicação veio de diplomatas em condição de anonimato, reforçando a expectativa brasileira de finalmente ver o acordo assinado após décadas de negociação.
Um novo episódio envolvendo a Itália também foi citado na conversa de Lula com jornalistas. A Itália teria pedido mais tempo para que o tema seja votado. O presidente brasileiro comunicou ter mantido contato com a primeira-ministra Giorgia Meloni, explicando que a data de 20 de dezembro não foi recomendação dele, mas sim uma linha traçada por Von der Leyen e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, com previsão de votação para o dia 19 em Bruxelas. No dia a dia, você vê como o jogo político pode mudar de uma semana para a outra, não é?
Na prática, a pauta movimenta também as salvaguardas agrícolas discutidas no Parlamento Europeu. A aprovação dessas salvaguardas era vista como sinal favorável a uma assinatura em breve. Lula lembrou que, na avaliação do Mercosul, o bloco está “100% disposto a avançar no acordo mesmo reconhecendo que não é perfeito para todos” e repetiu que, ao final, o acordo tende a privilegiar certos setores europeus mais do que outras demandas regionais. Ainda assim, reiterou que o caminho está aberto e que o diálogo permanece essencial para avançar.
No campo da Venezuela, o foco permaneceu o repentino acirramento entre Estados Unidos e o governo de Maduro. O tom das declarações aponta para o temor de uma crise humanitária na região, com o governo brasileiro sinalizando sua posição de que a região deve trilhar por vias diplomáticas e evitar qualquer tipo de conflito aberto. Lula afirmou ter conversado com Maduro para entender as perspectivas do governo venezuelano e lembrou que não divulga detalhes de conversas privadas, mantendo o princípio de não-violência como base para o Brasil apoiar uma saída dialogada. Em paralelo, o presidente disse ter conversado com Donald Trump para demonstrar a preocupação com a escalada e oferecer apoio brasileiro para uma solução diplomática — um sinal de que o Brasil quer atuar como facilitador de paz, sem York de guerras no continente.
Entre as notas no dia a dia, Lula mencionou o elo entre a política externa e a segurança pública interna. Ao mesmo tempo em que tratava de assuntos internacionais, o presidente foi interrompido por uma operação da Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União, a chamada operação “Sem Desconto”. O objetivo era investigar um esquema de descontos irregulares aplicados a benefícios do INSS, envolvendo membros de órgãos ligados à previdência. Um dos números que surgem nesse bastidor é a estimativa de que a fraude tenha movimentado, no período de 2019 a 2024, cerca de R$ 6,3 bilhões por meio de descontos indevidos autorizados por meio de convênios com o INSS. Além disso, o secretário-executivo do Ministério da Previdência foi preso, e a investigação envolve furos que vão do político à gestão de benefícios.
É nessa linha que o Lulinha — filho do presidente — aparece como figura citada em relatos de investigações, com menções a possível participação em esquemas. Lula afirmou que a decisão de apurar os fatos partiu do governo e destacou que não houve interesse em criar pirotecnia, ressaltando que a CGU levou dois anos para estruturar a fonte que desfez o suposto esquema. Em meio a tudo isso, o presidente reconhece a importância de manter a confiança da população com respostas claras e transparentes, sem desviar o olhar para especulações.
Quanto às perspectivas eleitorais, o tom de Lula foi de continuidade e autoconfiança. O líder brasileiro comentou que, se o adversário acreditar que pode vencer, deve se lançar, pois a disputa está aberta. Em pesquisa recente da Quaest, o cenário mostra Lula liderando em variados cenários de primeiro e segundo turno. Além disso, o chefe do Palácio do Planalto voltou a defender a viabilidade da jornada de trabalho mais flexível, destacando que a ideia de reduzir a escala de seis dias de trabalho ainda está na agenda pública e que os avanços tecnológicos dos últimos 45 anos ajudam a entender a possibilidade prática de uma mudança, com o fim da escala 6×1 no horizonte.
Para explicar o caminho legislativo, Lula reforçou que, mesmo com a expectativa positiva, o projeto precisa atravessar várias etapas: passar pelo plenário do Senado, tramitar pela Câmara dos Deputados e, por fim, depender de sanção ou veto presidencial. Em resumo, o panorama é de negociação constante entre interesses nacionais, pressões internacionais e o desejo do eleitor por mudanças que caminhem para mais equilíbrio entre trabalho, produção e proteção social.
Na prática, a leitura que fica é de que o Brasil está buscando uma atuação cada vez mais pragmática: manter a paz regional, avançar em acordos econômicos que fomentem o desenvolvimento, e, no dia a dia, construir respostas rápidas para os problemas internos, como a saúde financeira de aposentados e a gestão de benefícios. E você, leitor, o que pensa sobre o peso de cada uma dessas pautas no futuro do Brasil?