Lula elogia Congresso após manifestações e diz que nenhum projeto importante do governo foi barrado
O presidente agradeceu ao Legislativo pela atuação na agenda econômica, em meio a tensões com o Legislativo e protestos recentes; destaque para a avaliação sobre votação de propostas e para os desdobramentos políticos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta segunda-feira, 15, de uma cerimônia na sede própria da ApexBrasil e aproveitou para agradecer ao Congresso Nacional. Em tom elogioso, ele ressaltou que o Legislativo foi “muito correto” ao analisar e deliberar sobre projetos do governo na área econômica. A declaração ocorre em meio a manifestações contra o Congresso ocorridas no domingo, em diversas capitais, momento em que o entorno político ganhou ainda mais atenção.
Durante o discurso, Lula enfatizou que “não houve um projeto importante do governo que não tenha sido votado e aprovado”, destacando a colaboração entre partidos que o apoiaram e daqueles que votaram contra, além de apontar que algumas medidas permaneceram em discussão por questões ideológicas ou partidárias. Assim, na prática, o governo encontra no Legislativo um parceiro que, segundo o chefe do Executivo, contribuiu para avançar as propostas que, de fato, beneficiam o país.
No fim das contas, o ataque de tom político vivenciado nos últimos dias ganhou contornos diferentes com o posicionamento presidencial. As manifestações planejadas no fim de semana foram provocadas pela aprovação de um projeto que reduz penas de condenados ligados aos eventos de 8 de janeiro e à tentativa de golpe de Estado. A Câmara aprovou a proposta na semana anterior e encaminhou o texto ao Senado, com entre os atingidos o ex-presidente Jair Bolsonaro, que permanece preso desde novembro. A temperatura política, portanto, ficou aquecida, mas o tom parece ter se acalmado entre as casas legislativas.
Além de disputas entre Executivo e Legislativo, há ainda questões de ordem econômica que alimentam o debate. A contenção de custos e a trajetória fiscal acompanham decisões do Congresso, como a regulamentação da aposentadoria especial de agentes comunitários de saúde e de combate às endemias — matéria aprovada pela Câmara no fim de novembro. A Fazenda aponta um custo superior a R$ 20 bilhões em dez anos, enquanto o relator chegou a mencionar de R$ 17 bilhões por ano.
Na esfera institucional, a nomeação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal sobrecarregou o plenário. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, adiou a sabatina da indicação e começou a pautar temas sensíveis ao Palácio do Planalto, gerando críticas públicas e dividindo opiniões entre parlamentares. Paralelamente, a chamada “PEC da Blindagem” segue como ponto de atrito: a proposta exigiria autorização do Congresso para processar parlamentarmente, e ficou travada no Senado após resistência de muitos senadores. No dia a dia, o cenário aponta para um ano de intenso equilíbrio entre preservar a governabilidade e atender aos desejos de grupos internos e externos.
Quem fica nesse meio é o eleitor, que acompanha de perto esses movimentos com a curiosidade de entender o que muda na prática. No fim das contas, a visão do governo é de cooperação e de avanços com responsabilidade fiscal, enquanto críticos alertam para possíveis entraves que ainda podem aparecer na pauta parlamentar. E você, o que acha que vai pesar mais no Congresso nos próximos meses?