Após ameaçar Colômbia, Trump volta a defender anexar a Groenlândia

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Depois de ameaçar Colômbia, Trump volta a falar em anexar a Groenlândia

O primeiro-ministro da Groenlândia descreveu as tentativas de anexação como uma “fantasia”

A visita da notícia provocou rápidas reações. A Casa Branca confirmou que estão em curso várias opções para obter a Groenlândia, incluindo a possibilidade de uso da força militar. Segundo o governo americano, a Groenlândia — território semiautônomo da Dinamarca — tornou-se uma prioridade de segurança nacional para os Estados Unidos. Em tom institucional, a administração afirmou que o presidente e sua equipe avaliam diferentes caminhos para alcançar esse objetivo de política externa, deixando clara a ideia de que a utilização das forças armadas continua como uma opção à disposição do Comandante-em-Chefe, quando necessário.

No dia a dia, a situação ganhou contornos diplomáticos: seis países europeus publicaram uma nota conjunta em apoio à Dinamarca, que tem resistido às ambições de Washington. Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Polônia e Espanha assinaram o texto, reforçando a posição de Copenhagen. Enquanto isso, o governo da Groenlândia não poucas vezes deixou claro o seu ponto de vista. O primeiro-ministro Jens Frederik Nielsen qualificou a ideia de anexação como uma fantasia, afirmando que o diálogo deve ocorrer pelos canais adequados e com respeito ao direito internacional — e que pressão não ajuda em nada.

A Dinamarca, por sua vez, deixou explícito que EUA não têm o direito de anexar nenhum território do seu reino. A primeira-ministra Mette Frederiksen destacou que o país faz parte da OTAN e, portanto, está amparado por garantias de defesa da aliança. Ela ainda citou que já existe um acordo que garante aos EUA acesso à Groenlândia, em termos de defesa. A discussão ganhou ainda contornos políticos após Katie Miller — esposa de um dos principais assessores de Trump — ter publicado nas redes sociais um mapa da Groenlândia com as cores da bandeira americana e a legenda “EM BREVE”. O embaixador dinamarquês nos EUA respondeu com um lembrete de amizade entre as duas nações e da importância de respeitar a integridade territorial.

Toda essa atmosfera foi alimentada por episódios ligados à política externa dos Estados Unidos na região. Em meio a uma operação militar recente na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Trump afirmou que os EUA “governariam” a Venezuela e que as empresas petrolíferas americanas passariam a gerar lucro imediato para o país. Também houve referências a Colômbia e Cuba, com falas que ampliaram a sensação de que o tema Groenlândia poderia se tornar parte de um leque de ações externas mais agressivas. Em uma coletiva a bordo do Air Force One, o presidente sugeriu, de modo contundente, que a Colômbia poderia passar por mudanças, ao mesmo tempo em que criticava Petro, o líder colombiano, que rejeitou as acusações de ilegitimidade.

A tensão trouxe de volta o debate sobre o uso da força para consolidar controle sobre a Groenlândia, especialmente porque o próprio Trump não tem descartado essa possibilidade. O ângulo estratégico de Groenlândia aparece na prática ligado à presença de recursos naturais e à localização geopolítica — fatores que, segundo o argumento oficial americano, justificariam uma avaliação firme. Nesse contexto, a nomeação de um enviado especial para a Groenlândia provocou desconforto em Copenhague. O território groenlandês tem hoje cerca de 57 mil habitantes e desfruta de ampla autonomia desde 1979, embora a defesa e a política externa permaneçam sob controle dinamarquês. Embora a maioria da população local seja favorável à independência da Dinamarca, pesquisas de opinião indicam uma oposição expressiva a qualquer movimento de anexação pelos EUA.

No fim das contas, o episódio evidencia como questões estratégicas no Ártico ganham peso cada vez maior, envolvendo alianças, fronteiras e interesses econômicos sensíveis. Para o leitor comum, a pergunta prática fica no ar: o que tudo isso pode significar no nosso dia a dia e no futuro próximo?

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Jornalista

Sarah Martins

Jornalista especializada em lifestyle e decoração. Responsável por criar guias, tutoriais e reviews que realmente ajudam nas escolhas.

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