Lula diz que é preciso mais sem-terra no Congresso para sonhar

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Lula diz que é preciso ter mais sem terra no Congresso Nacional para alcançar ‘sonhos’

O presidente defende maior participação do MST nas eleições de 2026, destaca a importância da política no dia a dia e elogia bancos públicos na reforma agrária

Em Salvador, durante o 14º Encontro Nacional do MST, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que haja maior envolvimento de integrantes do MST nas eleições de 2026. Ele deixou claro que não basta sonhar alto: é preciso que a bancada ruralista não fique majoritária enquanto a parcela do movimento permaneça subrepresentada. “Não adianta a gente sonhar muito e, depois do resultado eleitoral, colocar 574 deputados como bancada ruralista e apenas dois sem terra eleitos como deputado federal”, afirmou, em referência ao desafio de ampliar a presença do movimento no Congresso.

Mais adiante, Lula revelou ter ficado satisfeito ao receber uma lista de integrantes do grupo que pretendem se lançar como candidatos. “Graças a Deus vocês tomaram a decisão de entrar na política. Por que sabe qual é a desgraça de quem não participa da vida política? É que é governado por quem gosta (de política)”, disse o presidente, destacando a importância do engajamento cívico para o êxito de políticas públicas voltadas ao campo.

No discurso, o presidente também lembrou que, no início de seu mandato, pretendia fazer o máximo de assentamentos, mas deu a entender que encontrou obstáculos estruturais no Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), o que atrasou parte dos planos de reforma agrária.

Lula sinalizou ainda a intenção de se reunir, ainda em fevereiro, com agrupamentos rurais para debater com mais precisão tudo o que foi feito e o que precisa ser feito no próximo período. “Ainda no meio de fevereiro, quero ter uma reunião com o agrupamento do movimento rural nesse país para discutir os passos seguintes com mais clareza”, afirmou.

No evento, o presidente também elogiou a atuação de bancos públicos na agenda de reforma agrária. “Pela primeira vez, a gente vai ao encontro do Sem Terra aplaudir o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, porque no nosso governo, eles funcionam a serviço do povo trabalhador”, destacou, ressaltando a parceria entre governo e as instituições públicas para apoiar as famílias do campo.

Participaram da ocasião nomes como o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT); os ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), Rui Costa (Casa Civil), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Márcia Lopes (Mulheres); além do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Antes do evento, Lula esteve em Maceió (AL) para a cerimônia de entrega de unidades do programa Minha Casa, Minha Vida e participou da entrega de Unidades Odontológicas Móveis (UOMs) e de ambulâncias do SAMU no estado, dentro do programa Agora Tem Especialistas.

Enquanto isso, o clima no campo, para o presidente, continua a ser de construção e diálogo. A ideia é aproximar movimentos populares da tomada de decisões e, assim, transformar promessas em políticas que cheguem de forma prática à vida do trabalhador rural e de suas famílias. No fim das contas, a expectativa é que esse estreitamento entre poder público e movimento social redunde em avanços que vão além das urnas.

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Jornalista

André Santos

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