Atleta da Seleção detona acerto de Cuca com o Santos
Atleta critica contratação do treinador, cobra responsabilidade do futebol e relata experiências pessoais de abuso
A jogadora Fê Palermo, lateral da Seleção Brasileira feminina e do Palmeiras, utilizou as redes para criticar com veemência o acordo entre o Santos e o técnico Cuca. Em desabafo público, ela questionou a forma como o universo do futebol encara acusações graves envolvendo profissionais e pediu mudanças de comportamento por parte de clubes e dirigentes, lembrando que o fenômeno vai muito além dos resultados em campo.
No texto divulgado, Palermo apontou a tendência de relevar denúncias diante do talento ou da história de atletas e treinadores. O posicionamento ganhou força na esteira da confirmação da contratação de Cuca, com contrato até o fim de 2026. Além disso, a atleta trouxe à tona um capítulo antigo do futebol: o Escândalo de Berna. Em 1987, ainda como jogador do Grêmio, Cuca foi acusado de participação em violência sexual contra uma menor de 13 anos na Suíça; em 1989 foi condenado pela Justiça local por ato sexual com menor, mas não cumpriu a pena por estar no Brasil. Décadas depois, em 2023, a condenação foi anulada por questões processuais, sem reavaliação do mérito, e o caso não pode mais ser reaberto devido à prescrição.
No desabafo, a atleta ressaltou que, mesmo diante de dúvidas ou de decisões ainda não definitivas, clubes deveriam evitar contratações envolvendo profissionais ligados a esse tipo de acusação. Para Palermo, a responsabilidade social do futebol precisa ser levada em conta, indo além da performance técnica. Ela também relembrou episódios vividos durante sua passagem pelo Santos, mencionando denúncias e situações de assédio dentro do clube, relatos que, segundo ela, parecem se repetir ao longo do tempo e colocam em questionamento a atuação institucional na era atual.
Em tom firme, Palermo mostrou que o silêncio sustenta a continuidade desses cenários e revelou já ter sido vítima de abusos, tanto sexuais quanto morais. Ela explicou que decidiu se posicionar justamente para não se tornar conivente com práticas inadequadas. Ao final, a jogadora cobrou coerência da sociedade e dos dirigentes do esporte, defendendo que o futebol precisa servir como exemplo positivo, levando em conta não apenas o desempenho em campo, mas também o histórico e a conduta dos profissionais nas decisões dos clubes.
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