Inflação vira aliada de Trump e pressiona o FED
BC americano já sinalizou ao mercado que fará pelo menos mais um corte nos juros em 2026
Quem acompanha a economia norte‑americana viu na inflação um dos temas mais comentados neste início de semana. Em dezembro, o IPC ficou estável em 0,2%, e, ao fechar 2025, a leitura anual ficou em 2,6%, abaixo das previsões de 0,3% ao mês e 2,7% ao ano. Na prática, a leitura reforça a ideia de que o processo de desinflação segue em curso e alimenta a esperança de cortes de juros no Federal Reserve ainda neste ano.
Para o mercado, esse quadro aponta para uma desinflação mais sólida e reacende a discussão sobre cortes de juros pelo Fed, com foco na possibilidade de atuação já no terceiro trimestre deste ano.
Segundo Rodrigo Moliterno, da Veedha Investimentos, embora a maioria ainda aposte na manutenção da taxa na próxima reunião, o recuo mais contido da inflação começa a abrir espaço para a volta dos cortes. O Fed já tinha sinalizado a chance de um recuo adicional em 2026, e agora parte dos investidores trabalha com a possibilidade de dois cortes à frente, cenário que tende a favorecer ativos de maior risco.
O quadro ganhou ainda mais força com os dados de emprego gerados nos EUA, pouco acima do esperado ou até abaixo dele em alguns firmes, indicando arrefecimento no mercado de trabalho — justamente o segundo pilar observado pelo banco central. Em outras palavras, inflação em desaceleração aliada a um mercado de trabalho mais contido passam a sustentar a tese de juros menores no horizonte.
Esse contexto, avalia Moliterno, aumenta a pressão política do presidente Donald Trump sobre o Fed e coloca Jerome Powell diante de um desafio extra: justificar tecnicamente qualquer decisão para evitar a leitura de interferência política — no fim das contas, quem ganha ou perde é a economia.
Entre os temas que costumam chamar a atenção do público, destacam‑se as perspectivas sobre política monetária e seus impactos no dia a dia, como crédito, investimentos e consumo. No fim das contas, o que acontece lá fora pode mexer, de forma direta, no bolso do leitor.
TAGS: Radar Econômico