Governo PT apoia E. Gonz. p/ pres. Venezuela; Mont. Marc. veem EUA

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Governo português defende Edmundo González para novo Presidente da Venezuela, Montenegro e Marcelo acreditam no “papel dos EUA” na transição

Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, sustenta que a solução não é reimpor Maduro, mas colocar o vencedor das eleições no comando da Venezuela, em meio à transição

O governo português colocou Em Edmundo González como a opção que melhor pode conduzir a Venezuela de volta a um caminho democrático, passando pelo médio prazo. Segundo o ministro Paulo Rangel, a comunidade internacional reconheceu González como vencedor das eleições de 2024, e a ideia é instalar um presidente eleito, com legitimidade reconhecida, assim que as condições para uma transição estável estejam reunidas.

Rangel reforçou que a solução não passa por repor Nicolás Maduro no poder, mas sim por promover ⟨o vencedor das eleições⟩ para a presidência, mantendo o foco na restauração da democracia, da estabilidade e da governabilidade na Venezuela. Em declarações ao fim de um encontro no Palácio das Necessidades, o chefe da diplomacia portuguesa sublinhou que o objetivo é devolver rapidamente o processo democrático, para que a população possa recuperar tranquilidade e prosperidade.

O ministro destacou que Portugal nunca reconheceu o Governo de Maduro e insistiu que a solução de curto a médio prazo deve passar por Edmundo González, visto pela comunidade internacional como o candidato que venceu as eleições de 2024 com legitimidade comprovada, conforme relatórios independentes que acompanharam as atas. Para Portugal — bem como para a União Europeia — a via mais aceitável é, o quanto antes, restabelecer a legitimidade democrática através de quem foi eleito.

No plano prático, Rangel afirmou que é essencial encontrar uma saída que traga democracia, estabilidade e governabilidade à Venezuela, reconhecendo ainda que a situação no terreno permanece pouco clara. Sobre a intervenção dos Estados Unidos, o chanceler brasileiro optou por uma leitura cautelosa: embora haja quem entenda que possa haver algum grau de legitimidade sob o prisma do Direito Internacional, Portugal defende que qualquer ação externa precisa se enquadrar no marco jurídico internacional.

Segundo o ministro, um processo de pacificação exige diálogo com atores do regime vigente e com as forças da oposição, incluindo o envolvimento dos EUA como elemento central de mediação. Essa imagem de pacificação coloca os Estados Unidos como um ~pivô~ nesse diálogo, sem que haja qualquer legitimização automática de ações externas.

Quanto à comunidade portuguesa na Venezuela, Rangel destacou que não houve registro de feridos ou danos entre os cidadãos lusos até o momento, mas ressaltou a preocupação com a situação de prisados políticos. Ele lembrou a importância de libertações rápidas nos próximos dias e citou a presença de luso-venezuelanos entre os detenidos, bem como o papel de outras comunidades europeias no país para contribuir com uma solução democrática.

No âmbito diplomático da Europa, o ministro também lembrou que países com forte presença de comunidades venezuelanas—como Portugal, Espanha e Itália—podem exercer influência para criar as condições que favoreçam uma transição legítima, rapidamente e de modo pacífico.

Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa nunca esconderam a aposta no que consideram ser o papel dos Estados Unidos nesse processo. Em tom compartilhado, o presidente da República e o primeiro-ministro avaliaram que o foco deve permanecer na volta à normalidade democrática. Em declarações públicas, ambos reforçaram a intenção de acompanhar de perto a situação na Venezuela e de manter a segurança e o bem‑estar da comunidade portuguesa no terreno, com a embaixada e os consulados em atuação plena para apoiar os cidadãos lusos.

Na esfera internacional, a posição da França acompanhou a linha de apoio a Edmundo González, com o presidente Emmanuel Macron destacando, em rede social, a importância de uma transição que respeite a vontade popular venezuelana, desde que pacífica, democrática e substanciada por princípios democráticos. Por outro lado, na Espanha, o governo de Pedro Sánchez adotou uma postura mais cautelosa ao sinalizar que não reconhecerá nenhuma intervenção norte‑americana que viole o direito internacional nem empurre a região a um cenário de incerteza ou beligerância.

No balanço diário, fica claro que a comunidade internacional se divide entre apoiar uma transição com base na legitimidade eleitoral e conter ações externas que possam agravar a instabilidade. O desafio agora é traduzir esse apoio político em mecanismos concretos de pacificação no terreno, com forte participação de diplomacias regionais, comunidades afetadas e, acima de tudo, o respeito irrestrito ao direito internacional.

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Jornalista

Mariana Silva

Personal organizer que adora soluções práticas para casa. Especialista em maximizar espaços pequenos com produtos inteligentes.

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