Flávio Bolsonaro defende governo “enxuto” e privatizações para modernizar o Estado
O senador afirmou, em entrevista exclusiva, que, se eleito, vai buscar um governo mais eficiente com cortes de impostos e desinvestimentos estratégicos; ele também detalha planos para privatizações dos Correios, uma revisão da Petrobras e uma agenda internacional para atrair investimentos
Em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) assumiu um tom de apresentação pública de quem quer se mostrar como uma alternativa moderada dentro de uma família que costuma polarizar o debate. Em entrevista exclusiva, ele posiciona uma linha de governo que prioriza um ajuste fiscal mais rigoroso, menos peso do estado sobre a economia e uma agenda de privatizações para acelerar a modernização do país. “Eu me considero, de verdade, um Bolsonaro mais centrado”, afirmou, em um gabinete decorado com pequenas lembranças do pai e de parceiros internacionais. Na prática, ele promete manter o foco na racionalidade econômica, em vez de entrarmos em batalhas culturais que possam distorcer as reformas.
Entre as prioridades, o senador cita o objetivo de deixar o governo mais enxuto, com cortes de impostos e continuidade de reformas que incentivem o ambiente de negócios. No radar de privatizações, ele destaca os Correios, cuja situação financeira desafia as contas públicas, além de propor uma reavaliação da Petrobras para identificar segmentos que possam ser desinvestidos ou reorganizados, com o objetivo de elevar eficiência e competição. “A Petrobras é um conglomerado complexo, com várias frentes — extração, pesquisa, distribuição e refino. Precisamos entender o que funciona e o que pode ser privado sem comprometer o papel estratégico do país”, disse. Além disso, ele aponta para ampliar a competição no setor de aviação, que hoje tem poucas companhias dominantes, para melhorar serviços e preços aos consumidores.
Quanto à montagem da equipe econômica, Flávio sinalizou que ainda não definiu um líder, mas mantém diálogo com nomes próximos ao governo do pai. Entre as referências mencionadas estão Paulo Guedes, ex-ministro da Economia; Gustavo Montezano, ex-presidente do BNDES; Roberto Campos Neto, atual presidente do Banco Central; Adolfo Sachsida, ex-ministro; e Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, indicando uma linha de continuidade com a agenda liberal que marcou a gestão anterior. “Tenho conversado com quem ajudou a moldar as decisões”, reforçou, destacando a busca por equilíbrio entre responsabilidade fiscal e estímulos necessários para atrair investidores.
Além do posicionamento interno, Flávio traçou uma rota internacional para 2026 com visitas a Estados Unidos, Argentina, Chile, Israel e países do Oriente Médio, além de algumas nações europeias. O objetivo, segundo ele, é atrair investimentos para o Brasil e ampliar o apoio a reformas estruturais. Em relação a encontros com autoridades americanas, ainda não há confirmação, mas ele revelou o desejo de manter um diálogo com o público externo e até a possibilidade de encontrar o ex-presidente Donald Trump em um cenário de posse em 2027, caso a vitória ocorra. A viagem é articulada pelo irmão, Eduardo Bolsonaro, que recentemente se mudou para os Estados Unidos para coordenar uma frente de campanha, segundo o senador.
No dia a dia, Flávio também confirmou a ideia de manter o diálogo com o núcleo econômico que envolve o governo do pai, para dar continuidade à agenda já iniciada. Em meio a dúvidas do mercado, ele ressaltou que a prioridade é traçar um caminho estável, previsível e aberto a investimentos, com a mesma lógica de confiança que já inspira crédito entre investidores — algo que ele espera manter mesmo com uma gestão diferente no Planalto.
Outro ponto que o leitor pode querer saber diz respeito à posição pessoal do próprio candidato sobre a vacinação contra a Covid-19. “Eu sou um Bolsonaro que se vacinou. Tomei duas doses da AstraZeneca”, confirmou, destacando uma postura de pragmatismo em meio a debates acalorados sobre saúde pública e eficiência sanitária. A declaração visa, segundo o próprio senador, mostrar que o campo político pode endereçar temas de forma responsável, sem abrir mão de princípios pró-mercado.
Ao longo da conversa, o tom de cautela também ficou evidente: o cenário eleitoral coloca Flávio diante de um tabuleiro com 10 pontos percentuais de desvantagem em cenários de segundo turno frente ao atual presidente, Lula, além de metade da população que rejeita candidatos apoiados por Jair Bolsonaro. Ainda assim, ele mantém o argumento de que sua experiência política e a difusão de uma imagem mais moderada podem atrair eleitores de centro e de setores pró-mercado. O senador admite que alguns aliados prefeririam ver o pai sob um espectro ainda mais firme, mas afirma que a estratégia de moderar o discurso não seria sinal de fraqueza, e sim de uma musculatura política capaz de dialogar com diferentes blocos de apoio.
No fim das contas, a proposta de Flávio Bolsonaro para o Brasil aponta para um caminho de equilíbrio fiscal, redução de gastos públicos e uma modernização do Estado, com maior participação do setor privado em áreas estratégicas. Para o leitor, a questão é simples: o que muda no cotidiano quando o estado passa a funcionar com mais eficiência e menos entraves? A resposta depende da continuidade dessas propostas, da confiança que transmitam aos mercados e da capacidade de traduzir promessas em resultados concretos ao longo dos próximos anos.
- Equilíbrio fiscal e redução de gastos públicos
- Privatizações estratégicas, incluindo os Correios e avaliação da Petrobras
- Maior competição no setor de aviação para melhorar serviços