Família de Giuffre reage à prisão de Andrew: ele nunca foi príncipe

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Família de Virginia Giuffre reage à prisão de Andrew: “Ele nunca foi um príncipe”

Principal denunciante do escândalo envolvendo Jeffrey Epstein, americana acusou o então príncipe de abuso sexual quando tinha 17 anos

No instante em que Prince Andrew foi detido pela Polícia do Vale do Tamisa, a família de Virginia Giuffre respondeu com um posicionamento que resume o peso de uma boa parte do caso: a prisão representa, para eles, a confirmação de que ninguém está acima da lei, nem mesmo a realeza. A mensagem foi divulgada logo após o ex-príncipe ser levado sob suspeita de má conduta em cargo público, em um movimento que volta a colocar o foco sobre as acusações que marcaram uma década e meia.

Em comunicado que chegou ao jornal The Guardian, os irmãos de Giuffre — o grupo que, segundo a própria nota, “morreu em abril de 2025” — agradeceram às autoridades pela investigação que levou à detenção. “Em nome de nossa irmandade, expressamos nossa gratidão pela apuração e pela prisão de Andrew Mountbatten-Windsor”, disseram. “Ele nunca foi um príncipe. A todos os sobreviventes, Virginia fez isso por vocês.”

Já no campo das reações, a família ressaltou que a coragem de Giuffre derrubou um símbolo de poder, segundo as palavras usadas pela própria família em meio às repercussões. Em comunicado enviado à BBC, os parentes destacaram que “uma americana comum, vinda de uma família comum, derrubou um príncipe britânico com sua verdade e sua coragem extraordinária”, uma forma de reforçar que o peso da história recai diretamente sobre quem ampliou a rede de denúncias.

Sobre o momento da detenção, a polícia descreveu a ação como resultante de uma avaliação minuciosa das provas reunidas ao longo do tempo. Agentes à paisana, acompanhados de viaturas descaracterizadas, chegaram a Sandringham, residência do príncipe, antes de serem recebidos pela imprensa e pelas autoridades locais. Já o Palácio de Buckingham confirmou que o rei Charles III recebeu a notícia com preocupação, mas ressaltou que “a lei deve seguir seu curso”, colocando o processo sob o escrutínio público e institucional.

A prisão, em pleno cenário de escrutínio contínuo, coloca o caso Giuffre no centro do debate sobre a monarquia britânica e a rede de casos que envolvem Jeffrey Epstein. No dia a dia, é difícil ignorar que uma das vozes mais fortes do movimento contra o tráfico sexual de menores tem justamente o poder de transformar narrativas públicas. E a repercussão não se limita aos palácios: o episódio reacende velhas acusações ligadas ao caso Epstein e a forma como figuras poderosas são por vezes envolvidas em situações legais que se estendem por anos.

Quem foi Virginia Giuffre, afinal? Giuffre tornou-se a primeira mulher a acusar publicamente Andrew de abuso sexual no contexto da rede de exploração orquestrada por Epstein. Em uma denúncia apresentada em 2014, ela afirmou ter sido vítima de tráfico sexual e que teria sido forçada a manter relações com o então príncipe pelo menos três vezes em 2001, quando tinha 17 anos. Andrew sempre negou as acusações. O caso ganhou dimensão internacional e, em 2022, terminou em um acordo extrajudicial entre Andrew e Giuffre, sem qualquer admissão de culpa. A repercussão levou ao afastamento do duque de funções oficiais da família real e à perda de seus títulos militares e patronatos.

Além de Epstein, quem morreu na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento, e de Ghislaine Maxwell, condenada por tráfico sexual de menores, o nome de Andrew tornou-se um dos mais associados ao escândalo. Nos últimos meses, uma segunda mulher, cuja identidade permanece anônima, também apresentou acusações relacionadas ao ex-príncipe. A investigação, segundo autoridades, busca esclarecer até que ponto as responsabilidades se estendem, também à luz de novas declarações públicas e de novas evidências que possam surgir no caminho.

Giuffre morreu na Austrália, onde vivia, e sua família atribuiu a morte aos danos psicológicos decorrentes de anos de abuso e exploração. Para os irmãos, a prisão de Andrew simboliza o desdobramento de uma batalha iniciada há mais de uma década por Virginia, que se tornou uma das vozes mais fortes na denúncia de redes de tráfico de menores entre figuras poderosas. No fim das contas, o caso continua sendo um marco na luta das vítimas por reconhecimento e justiça, lembrando que a coragem de quem denuncia pode ter consequências profundas para a memória coletiva e para a sensação de impunidade que muitas vezes envolve o topo do poder.

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Jornalista

Sarah Martins

Jornalista especializada em lifestyle e decoração. Responsável por criar guias, tutoriais e reviews que realmente ajudam nas escolhas.

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