Dossiê de ex-chefe da federação aponta falhas estruturais no futebol italiano
Apesar de sua recente renúncia ao cargo de presidente da Federação Italiana de Futebol (Figc), Gravina apresenta um relatório que aponta caminhos para enfrentar a crise que se arrasta pela Azzurra, cobrando responsabilidade de entidades, organizadoras de campeonatos e órgãos públicos.
O documento, que não tardou a ganhar contornos de um diagnóstico estratégico, destaca a necessidade de esclarecer as responsabilidades entre a FIGC, quem organiza as competições nacionais e as instituições públicas. Em tom incisivo, Gravina reconhece que “muitas imprecisões, e por vezes mentiras descaradas” alimentaram a busca por culpados, algo que ele atribui ao desgaste acumulado pela modalidade nos últimos anos. No seu conjunto, o relatório propõe diretrizes para lidar com a crise desencadeada pela terceira ausência consecutiva da seleção italiana em Copas do Mundo.
Entre os pontos mais discutidos, o texto reforça que os chamados problemas críticos do futebol italiano são conhecidos há tempos e aparecem com dados que variam, mas que, no grosso, revelam deficiência estrutural. Em especial, destacam-se as estatísticas sobre a presença de atletas estrangeiros na Serie A e a quantidade de jogadores elegíveis para defender a Azzurra, um desequilíbrio que preocupa técnicos e torcedores. Além disso, Gravina afirma que não é viável impor um número mínimo de atletas italianos, pois isso violaria os princípios da livre circulação de trabalhadores — algo essencial no futebol profissional.
- Alta participação de estrangeiros na Serie A versus a dificuldade de encontrar substitutos para a seleção italiana.
- Impossibilidade de exigir cotas rígidas por causa da liberdade de movimento de trabalhadores.
- Calendário intenso que restringe a criação de janelas maiores de treinamento para a seleção.
- Falta de apoio financeiro público em comparação com investimentos multimilionários destinados a outras modalidades.
- Necessidade de reformular as quatro principais divisões do calcio e o setor de arbitragem, além de uma reforma técnica das categorias de base que já começou sob a liderança de Maurizio Viscidi.
No plano político, o relatório também reforça que a apresentação formal deveria ter ocorrido no Parlamento na semana passada, sinalizando a intenção de transformar as constatações em ações estruturais. Gravina insiste na importância de alinhar responsabilidades entre os agentes envolvidos e de exigir transformações que possam mudar o cenário a médio e longo prazo — algo que afeta não apenas os dirigentes, mas a rotina de clubes, treinadores, jogadores e, principalmente, o torcedor.
No fim das contas, o que se busca é uma reformulação que não apenas corrija números, mas também rejuvenesça a base, fortaleça a arbitragem e permita uma adaptação mais estável do futebol italiano aos desafios modernos. A leitura do documento sugere que as mudanças, ainda que ambiciosas, passam pela clareza institucional e por investimentos que deem sustentação aos próximos passos da modalidade.