Nos EUA, Flávio pede monitoramento e pressão diplomática por ‘eleições justas’ no Brasil
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) discursou nos Estados Unidos pedindo que o país observe a liberdade de expressão no Brasil e exerça pressão diplomática para assegurar eleições livres em outubro, em que disputará a Presidência
No sábado, 28 de março de 2026, o senador Flávio Bolsonaro subiu ao palco de um dos grandes ambientes conservadores dos Estados Unidos, o CPAC, realizado no Texas. Ali, ele pediu que Washington acompanhe de perto a “liberdade de expressão” no Brasil e imponha uma pressão diplomática para que as instituições do país funcionem de maneira adequada durante as eleições de outubro. O recado foi claro: vigiar de perto o processo eleitoral brasileiro e agir para assegurar que tudo ocorra conforme valores defendidos por aliados.
Além disso, o congressista deixou claro que não pretende provocar uma interferência direta nas eleições do Brasil, mas insinuou que os Estados Unidos e outros parceiros devem observar o pleito com atenção redobrada. “Monitorem a liberdade de expressão do nosso povo. E apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem adequadamente”, afirmou. No cerne da fala, veio a crítica antiga de bolsonaristas de que as urnas de 2022 teriam sido manipuladas, ainda que não haja comprovação pública nesse sentido até o momento, conforme checagens independentes.
Na visão dele, a vitória de Lula representou para o Brasil novos desafios econômicos e de segurança pública, citando, entre outras coisas, o que chamou de crise econômica devastadora, expansão de cartéis narcotraficantes e suspeitas de envolvimento de membros da própria família do ex-presidente na ordem pública. Em tom contundente, Flávio afirmou que não busca interferência como a que, segundo ele, aconteceu no passado, mas defendeu que a comunidade internacional observe o pleito com enorme atenção para evitar distorções no resultado.
Os comentários também tocaram na chamada “perseguição judicial” a seu pai, Jair Bolsonaro, associando o processo a uma suposta manobra semelhante àquela vivida por Donald Trump nos Estados Unidos. Segundo o senador, os ministros do Supremo Tribunal Federal que condenaram Jair Bolsonaro foram participantes de uma estratégia para retornar Lula ao poder, sugerindo uma conspiração contra a direita.
Durante o discurso, Flávio ressaltou a importância do Brasil na região, destacando o tamanho do território, do PIB e da população, e argumentou que ter um governo alinhado aos valores conservadores também interessa aos Estados Unidos. Em tom retórico, ele descreveu o momento como “a encruzilhada” da América: ou o Brasil mantém seu papel como aliado, ou passa a caminhar ao lado de vozes que não agradam aos interesses norte-americanos, o que dificultaria políticas regionais conjuntas.
Ao longo de sua fala, o senador insistiu na ideia de cooperação com Estados Unidos contra o crime organizado, citando repetidamente a expressão “cartéis de drogas” para defender uma cooperação mais efetiva no combate a facções como PCC e CV. Em suas palavras, Lula estaria, na visão dele, alinhado a esses grupos, o que, na prática, justificaria uma pressão internacional mais firme para manter eleições livres e justas baseadas em valores compartilhados.
Flávio também aproveitou para deixar claro que planeja retornar ao CPAC no próximo ano, com a pretensão de concorrer ao cargo de cabeça do Executivo brasileiro. Ele sinalizou que seria uma espécie de versão aperfeiçoada do pai, deixando entrever ambições de um segundo mandato que acompanhe a linha defendida pela família. Acompanhado pela irmã, a deputada Eduardo Bolsonaro — apresentado como “deputado exilado” — e outros aliados, o tom da apresentação foi de firme defesa de uma agenda conservadora para o Brasil.
No fim das contas, a performance no CPAC reforçou o apelo da chapa bolsonarista por uma observância internacional mais estreita do processo eleitoral brasileiro, aliada a uma retórica de que o Brasil precisa manter vínculos fortes com interlocutores norte-americanos que compartilham de princípios de ordem pública, valores democráticos e respeito às instituições. Afinal, para o leitor comum, a pergunta que fica é: o que muda na prática para o dia a dia da política brasileira a partir dessas cobranças?