PL filia Sergio Moro para concorrer ao governo PR e desafiar Ratinho

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PL oficializa Moro como pré-candidato ao governo do Paraná para enfrentar grupo de Ratinho

Senador Sergio Moro e a esposa Rosângela formalizam filiação ao PL; mudança ocorre após impasse no União Brasil e reconfiguração do cenário político local

Na noite de terça-feira, o Partido Liberal (PL) deu um sinal claro sobre o que pode acontecer no cenário paranaense: Sergio Moro, o ex-juiz da Lava Jato, e a esposa, Rosângela Moro, estão oficialmente filiados à sigla em Brasília. A aposta é que Moro seja o pré-candidato do PL ao governo do Paraná, desafiante direto ao grupo liderado pelo atual governador Ratinho Júnior (PSD), que já havia sinalizado, na semana anterior, que iria antecipar a permanência no cargo até o fim do mandato, abrindo mão da jornada presidencial.

A mudança de ares vem acompanhada de bastidores que explicam a razão do move: no União Brasil, a dupla Moro e Rosângela não recebeu apoio interno para a pré-candidatura. Enquanto o PSD fica com a responsabilidade de fortalecer a máquina no Estado, o PL busca ampliar o palanque para Flávio Bolsonaro e consolidar sua atuação no Paraná, com perspectivas para uma disputa que pode mudar o tom político local. Além disso, o PP, que integra a federação com o PSD, chegou a vetar a pré-candidatura de Moro no fim de 2025, com apoio do presidente nacional da sigla, Ciro Nogueira.

No ato de filiação, coube espaço a nomes de peso: o senador Flávio (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, o ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo) e o deputado Filipe Barros (PL), que formam uma espécie de dobradinha a ser observada na chapa ao Senado. Em seus discursos, Moro e Rosângela cativaram a atenção ao fazerem acenos à família Bolsonaro. O senador sinalizou que o Paraná caminharia ao lado de Flávio e retomaria a aliança com o ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, argumentando que um retorno do PT ao poder seria prejudicial ao país. “O seu projeto é o projeto do nosso país. Estou animado para ver seu pai em casa, não apenas por política, mas por justiça”, resumiu Moro em tom veemente.

Rosângela, por sua vez, demonstrou solidariedade à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, ausente por motivos de saúde do marido, e reiterou o desejo da transferência de Moro para uma condição de prisão domiciliar caso seja necessário. Ela afirmou que a Lava Jato foi “um exemplo do Paraná” de combate à corrupção e associou esse espírito a uma visão de governo que, na prática, pretende manter a pauta ética em evidência.

Do lado de Flávio Bolsonaro, a leitura é de que a atuação de Moro no Senado não ficará sem retorno: ele ressaltou a importância da candidatura de Moro para o conjunto de decisões sobre o futuro do Brasil, lembrando que, por mais que o PL tenha performance em pesquisas, a chapa não pode “baixar a guarda” diante do cenário nacional. Já entre bolsonaristas, cresce a percepção de que a decisão de Ratinho Júnior de desistir da corrida presidencial para se manter no governo tenha sido influenciada pela estratégia do PL de filiar Moro, fortalecendo o embate em terras paranaenses.

O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, o senador Rogério Marinho (PL-RN), chegou a pedir publicamente o apoio de Ratinho ao pré-candidato no primeiro turno — algo que, na prática, exigiria uma desistência do próprio projeto presidencial do PSD. O governador, por sua vez, ficou em silêncio, deixando a decisão em aberto. Com a filiação de Moro, o PL sinaliza que pretende abrir caminho para um palanque robusto no Estado, mantendo o foco na consolidação de alianças que possam desafiar o que consideram hegemonia bolsonarista.

Se a corrida de Moro realmente decolar, há quem acredite que ele poderá superar a força eleitoral de Ratinho Júnior, que, por sua vez, era o pré-candidato do PSD com melhor desempenho entre possíveis rivais presidenciais, mas distante de Lula e de Flávio. Enquanto isso, a manutenção no cargo por Ratinho abriria espaço para que ele movimente a máquina estadual em favor de um eventual sucessor, com nomes fortes no radar, como o secretário de Cidades Guto Silva e o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi.

Segundo uma líder da cúpula do PL, Ratinho cometeu um “erro primário” ao subestimar o potencial do PL no Estado. A leitura interna é de que o café esfriou para o PSD, e a percepção é de que o movimento de Moro pode impor novos contornos à aliança, além de atrair apoio de outras legendas dissidentes. Por outro lado, caso Ratinho leve a dianteira com mais firmeza, a aposta é que isso aproxime o PSD de aliados que possam, de modo estratégico, desfocar o efeito das articulações de Moro, inclusive envolvendo potenciais apoios de nomes como Ronaldo Caiado (PSD) para além do palanque paranaense.

Em todo o caso, o mapa político no Paraná tende a ganhar novas cores com a filiação. A aposta do PL é criar um problema a mais para Ratinho no tabuleiro das alianças, enquanto Moro e Rosângela trabalham para firmar uma chapa competitiva e, no dia a dia, manter o eleitor atento ao que pode acontecer nas urnas. No fim das contas, leitores já podem sentir o pulso do que está em jogo: quem conseguirá consolidar uma liderança capaz de transformar o cenário político regional nas próximas eleições?

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Jornalista

Fernanda Costa

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