Quais eleições na América Latina terão em 2026 e a influência de Trump

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Quais eleições América Latina terá em 2026 (e o quanto Trump pode influir nelas)

Cinco países da região vão escolher presidentes em 2026, entre eles o Brasil; a pergunta que fica é: até onde a influência de Donald Trump pode pesar nos resultados?

Além do Brasil, outras quatro nações da América Latina estão na linha de frente das choices para 2026. A Colômbia volta a abrir um ciclo eleitoral intenso, enquanto a região discute o papel da esquerda e a força de vozes mais conservadoras. E não é pouca coisa: há quem analise esse ano como um caso de teste para a balança de poder no continente, já que a intervenção de um ator externo — o presidente norte‑americano, Donald Trump — está cada vez mais perto do centro do debate. No balanço entre políticas, alianças e mudanças econômicas, as eleições serão marcadas por eleições de vários formatos e por uma polarização que já se tornou a marca do momento político regional.

Para entender o tamanho do impacto possível de Trump, vale recordar que ele já deixou claro que não costuma ficar de fora quando vê risco de melhoria para aliados ou desejos de mudança na linha de frente de governos que não seguem os seus interesses. Ao longo de 2025, o republicano apoiou forças da direita em eleições legislativas na Argentina e presidenciais em Honduras, inclusive sinalizando que a ajuda norte‑americana poderia ser condicionada a resultados eleitorais. Em outros casos na região, como no Equador, o próprio apoio a reeleições foi sinalizado, e houve casos de reaproximação com figuras de diferentes espectros ideológicos.

Com o ano começando, já há indícios de que Trump pode tentar influenciar novamente as urnas da região — mas a pergunta que fica é: até que ponto ele consegue manter ou ampliar o sucesso de suas estratégias? Especialistas lembram que, na prática, o jogo envolve não apenas recursos e pressões, mas também a reação dos eleitores e a resposta de governos coalicionados com Washington. No fim das contas, cada país tem sua lógica interna, condições econômicas distintas e propostas que variam naquilo que é prioridade para o eleitorado local.

Para organizar, segue abaixo o calendário eleitoral latino‑americano previsto para 2026, com as datas oficiais e as possíveis voltas adicionais, quando houver.

  • Costa Rica: eleição presidencial e legislativa em 1º de fevereiro; segundo turno presumido em 5 de abril.
  • Peru: eleição presidencial e legislativa em 2 de abril; segundo turno provável em 7 de junho.
  • Colômbia: eleições legislativas em 8 de março; primeiro turno presidencial em 31 de maio; segundo turno previsto para 21 de junho.
  • Haiti: eleições gerais em 30 de agosto; segundo turno possível em 6 de dezembro.
  • Brasil: eleições gerais em 4 de outubro; segundo turno possível em 25 de outubro.

Vamos aos detalhes por país, com foco nas peças-chave que moldam o cenário para 2026 e o que cada eleição representa para o continente. Na Costa Rica, a disputa está chamando a atenção por envolver nomes com caminhos diferentes. O Tribunal Superior Eleitoral chegou a pedir a retirada da imunidade do presidente Rodrigo Chaves, citando suposta interferência no processo eleitoral, mas o Legislativo bloqueou a medida em dezembro. Chaves nega irregularidades — e, mesmo sem poder concorrer à reeleição, pode influenciar a corrida por meio de índices de aprovação que alimentam a candidatura de Laura Fernández, dona de um mandato anterior e provável apontamento do seu partido. Entre as opções estão também Claudia Dobles, de centro‑esquerda, o ultradireito Fabricio Alvarado (em sua terceira tentativa) e Álvaro Ramos, ligado à área da previdência.

No Peru, há uma combinação de fragmentação política e incerteza que torna as eleições de 2 de abril uma das mais imprevisíveis da região. Até o momento, são registradas pelo menos 34 candidaturas, o que dificulta a definição de um vencedor no primeiro turno. O cenário aponta para um segundo turno provável em 7 de junho. Entre os nomes que se destacam aparecem Rafael López Aliaga, visto como simpatizante de Trump, e Keiko Fujimori, que busca pela quarta vez chegar à presidência — uma história marcada por uma família com peso histórico. O clima de descontentamento e preocupação com a segurança pública também favorece a possibilidade de que uma figura pouco conhecida possa surpreender, como já ocorreu em 2021 com Pedro Castillo.

A Colômbia traz outro mosaico: as eleições parlamentares em 8 de março definem a configuração do Legislativo, enquanto o país recebe o primeiro turno presidencial em 31 de maio, com a possibilidade de segundo turno em 21 de junho. O campo político está dividido em dois blocos bem definidos: de um lado, a atual esquerda que governa, com possíveis candidatos entre Iván Cepeda, Roy Barreras e Camilo Romero; do outro, a oposição conservadora, com nomes como Mauricio Cárdenas, Vicky Dávila, Juan Manuel Galán, Aníbal Gaviria, David Luna, Juan Daniel Oviedo e Paloma Valencia. Além disso, o governo de Gustavo Petro tem apresentado uma iniciativa de recolher assinaturas para convocar uma assembleia nacional constituinte — movimento que pode influenciar o clima eleitoral a favor da esquerda, mesmo em meio à campanha. Petro não pode concorrer à reeleição, mas sua liderança, ainda com altos índices de desaprovação, mantém corpos de apoio relevantes que podem definir o desfecho.

Já no Haiti, a agenda eleitoral caribenha é marcada por uma das crises mais difíceis da região: a violência de gangues e uma crise humanitária que complica a organização do pleito. A eleição geral está programada para 30 de agosto, com a possibilidade de segundo turno em 6 de dezembro. No entanto, a segurança e os recursos necessários para realizar o sufrágio ainda são pontos de preocupação — e a chance de adiamentos não pode ser descartada enquanto não houver garantias estáveis para o processo.

Por fim, o Brasil aparece como o palco mais decisivo para o continente. Com uma polarização aguçada, a eleição presidencial de 4 de outubro é vista como um referencial: a oposição, hoje dividida, fica sob pressão após a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe no ano anterior. Enquanto isso, o presidente Lula aparece com boa posição nas sondagens, caminhando para uma possível reeleição em um quadro de coalizões desfeitas e críticas internas. A esquerda, que já ganhou fôlego com a liderança de Lula, observa também a dimensão de uma esquerda que pode depender de sua capacidade de manter apoio amplo em meio a críticas de setores mais radicais.

Entre as forças regionais, o papel de Trump continua a gerar debates: alguns veem nos EUA um aliado estratégico para a direita regional, enquanto outros lembram que o cenário pode trazer reações inesperadas quando políticas de Washington cruzam fronteiras políticas. Em especial, especialistas destacam que a relação entre Brasil e Estados Unidos vive um “paradoxo” curioso: Trump, de um lado, aproximando-se de governos de esquerda, e, de outro, exercendo pressões que impactam decisões econômicas e políticas no Brasil. O desdobramento dessa relação pode reverberar em eleições na Colômbia e em outros países, criando um efeito dominó que os eleitores vão sentir na prática.

No balanço, o que se observa é mais do que simples disputas locais: trata‑se de um momento em que o continente tenta marcar o próprio rumo, com o eleitor buscando estabilidade, governabilidade e respostas para temas como economia, segurança e serviços públicos. E, no meio desse tabuleiro, a figura de Donald Trump surge como uma variável que pode influenciar resultados, ainda que cada país tenha a sua própria dinâmica. No fim das contas, 2026 promete não apenas votos, mas uma sequência de leituras sobre o que a região quer entregar ao seu futuro — e como reagirá a qualquer sinal de interferência externa.

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Jornalista

Mariana Silva

Personal organizer que adora soluções práticas para casa. Especialista em maximizar espaços pequenos com produtos inteligentes.

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