As duas rainhas de bateria que detonam Virginia no Carnaval
Influenciadora vai desfilar na Grande Rio
Em meio à contagem regressiva para o Carnaval, a rainha de bateria da Beija-Flor, Lorena Raissa, chamou atenção ao comentar a presença cada vez maior de influenciadoras no circuito da folia. A pauta ganhou corpo ao redor da notícia de que Virginia Fonseca fará sua estreia como rainha da Grande Rio neste ano, e Lorena deixou claro que a visibilidade dessas nomes pode abrir portas, ao mesmo tempo em que defende que o espaço seja ampliado para talentos da comunidade.
Segundo a visão de Lorena, quem tem alcance midiático pode atuar como ponte para valorizar quem vive a cultura no dia a dia. “A Virginia já era famosa, conhecida”, ela ponderou, “chegou a um cargo maior e trouxe o que já tinha de bom. O ideal é que as meninas da comunidade também recebam esse espaço.” A cobrança veio acompanhada de um lembrete: o Carnaval ganha força quando figuras de expressão ajudam a amplificar a voz de quem está na base, promovendo uma troca justa entre visibilidade e talento local.
Antes de desfilar, Lorena reforçou que, se Virginia está somando ao espetáculo, a estratégia seria manter o foco nos personagens e na tradição do Carnaval. “Ela, como influenciadora de peso, poderia contribuir para aproximar as meninas da comunidade da vitrine do carnaval”, comentou, abrindo espaço para uma reflexão sobre responsabilidade e representatividade.
Essa não é a primeira vez que uma rainha de bateria levanta esse debate. Evelyn Bastos, da Mangueira, já havia manifestado posição semelhante: não é justo que pessoas associadas a religiões que pregam intolerância ocupem cargos de destaque em uma festa que se orgulha de sua diversidade cultural. “Não acho justo que pessoas que demonizam nossas tradições estejam na linha de frente”, afirmou, reforçando a ideia de que o Carnaval precisa manter o respeito às tradições e às comunidades que o tornam tão rico. A discussão, no entanto, não diminui o encanto da folia, que segue impulsionada pela pluralidade de vozes nas quadras e nos olhos do público.
No dia a dia, o tema ganha contornos que vão além das passarelas: é sobre como o Carnaval pode seguir sendo espaço de expressão para quem constrói a cultura afro-brasileira que se manifesta na ginga das escolas, no batuque da bateria e nos bastidores que alimentam a festa. Além disso, palavras de confronto costumam acender debates que ajudam a entender quem ganha espaço — ou perde — quando a vitrine se torna uma ponte entre celebridades e talentos da comunidade. No fim das contas, a pergunta que fica é simples: qual o peso real da visibilidade das grandes nomes na hora de abrir portas para quem surge das quadras?