Delcy assegurou parceria com os EUA antes da queda de Maduro

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Delcy garantiu cooperação aos EUA antes de Maduro cair

Vice-presidente interina prometeu colaborar por meio de intermediários do Qatar desde o outono; contatos se intensificaram após a tentativa de acordo entre Trump e Maduro em novembro.

As informações chegam com base no diário The Guardian, que afirma ter ouvido quatro fontes diferentes. De acordo com essas fontes, Delcy Rodríguez e o seu irmão, Jorge Rodríguez, não participaram ativamente da operação de captura e do sequestro de Nicolás Maduro realizada pelas forças norte‑americanas em 3 de janeiro. Ainda assim, teriam assegurado ao Governo dos EUA, por meio de intermediários, que cooperariam no dia seguinte.

Delcy, que ocupava então a vice‑presidência de Maduro, acabou tomando posse como presidente apenas dois dias após a captura do ex‑chefe de Estado venezuelano. Segundo as fontes do The Guardian, houve a participação de representantes do Governo do Qatar nas negociações entre os Rodríguez e Washington.

Os contatos vinham sendo feitos desde o outono e se intensificaram depois de uma ligação telefônica frustrada entre Trump e Maduro, em novembro, com o objetivo de conduzir à saída voluntária do então presidente venezuelano, conforme aponta o jornal britânico.

Em dezembro, diante da escalada da crise, Delcy disse a um interlocutor norte‑americano que “colaboraria com o resultado que se apresentasse”, segundo relatos citados pelo diário.

Quanto ao político americano, Marco Rubio, então retratando-se como secretário de Estado, começou muito reticente a colaborar com os Rodríguez e acabou entendendo que Delcy e o seu irmão podiam representar uma alternativa menos ruim para assegurar uma transição relativamente pacífica e evitar o caos no país.

Já em outubro, o Miami Herald trouxe uma notícia na qual Delcy Rodríguez era apontada como conspirando, de forma ativa ou passiva, para derrubar Maduro por ambições próprias. Embora a atual presidente interina tenha negado veementemente as informações, a reação ajudou a convencer Rubio e o seu círculo de que ela poderia ser uma interlocutora viável em determinadas situações, observa‑se no conjunto de relatos do Guardian.

Outro aspecto destacado pelo diário é o caráter de Delcy, descrito como alguém com “peculiaridades encantadoras” que a ajudariam a fazer novos amigos, incluindo sua paixão pelo pingue‑pongue — até com treinador próprio —, o gosto por champanhe e o hábito de desafiar mandatários estrangeiros para diversas partidas. Além disso, a notícia menciona uma relação fluida com o setor petrolífero dos EUA, que supostamente indicaria que ela poderia ser uma boa interlocutora no futuro.

No fim das contas, o conjunto de relações e percepções em torno de Delcy ajuda a explicar por que Washington poderia ter visto nela uma ponte para uma transição menos conflituosa na Venezuela, mesmo diante de um cenário internacional delicado e de alta tensão.

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Jornalista

Sarah Martins

Jornalista especializada em lifestyle e decoração. Responsável por criar guias, tutoriais e reviews que realmente ajudam nas escolhas.

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