Disputa pelo Planalto: governador de Minas afirma que vai até o fim
Em entrevista, Romeu Zema apresenta propostas para o país, critica o STF e sinaliza alinhamento com Jair Bolsonaro
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do Novo, já aparece entre os destaques da corrida presidencial. Em conversa com a revista VEJA, ele expõe um conjunto de propostas para o Brasil, ataca o funcionamento do Supremo Tribunal Federal e reforça o tratamento dado pela sua equipe à direita, com abertura a alianças com Jair Bolsonaro. Com o calendário eleitoral ainda se estruturando, o mineiro diz que não recua do objetivo e que pretende levar suas ideias adiante independentemente dos próximos passos da disputa. No caminho até o fim da caminhada, ele aposta na seriedade da gestão pública como diferencial para o país.
Para Zema, a experiência que carrega como gestor é o fio condutor do seu projeto. Ao longo de décadas no setor privado, ele afirma ter aprendido a montar times capazes de fazer uma empresa crescer de forma expressiva e gerar empregos. Na administração mineira, ele destaca ter criado um secretariado enxuto, o que, segundo o relato dele, favoreceu resultados consistentes e a criação de milhares de oportunidades, além de manter as contas sob controle mesmo diante de dificuldades financeiras. Na prática, ele defende que a competência na gestão é o que permite enfrentar crises com mais eficiência e impacto para a população.
Outra linha de reflexão central é a avaliação sobre o STF. O governador defende mudanças para ampliar a participação de mulheres no tribunal e propõe rever critérios de indicação, com ênfase na valorização de quadros já formados no Judiciário, na Justiça e na Defensoria. O objetivo, segundo ele, é fortalecer a independência institucional sem abrir mão de padrões de integridade e de participação da sociedade organizada. Além disso, ele pleiteia mandatos com duração fixa — entre oito e dez anos — para evitar que cargos se tornem estáveis de forma permanente, buscando oxigenação contínua no funcionamento da corte.
Como planeja ampliar o alcance de sua mensagem pelo Brasil, Zema descreve um caminho baseado em presença constante, eventos, e maior exposição nos meios de comunicação. Ele cita a experiência de Minas como peça-chave de demonstração prática de sua gestão, argumentando que o estado é uma espécie de “amostra” do Brasil, com regiões que dialogam com diferentes realidades nacionais. Nessa linha, ele defende uma estratégia que permita levar propostas concretas a cidades de todas as regiões, não apenas aos grandes centros, e que mostre os impactos positivos que já ocorreram em MG.
Na pauta econômica, Zema não faz cerimônias: enfatiza que empresas estatais costumam ser menos eficientes e podem servir de palco para favorecimentos políticos. Como exemplo, aponta a Cemig, ressaltando que mudanças estruturais — como privatizações — podem tornar o setor elétrico mais competitivo e atrair investimentos privados. Em Minas, ele cita avanços em energia renovável, lembrando uma expansão significativa no setor solar e citando números que, segundo ele, demonstram o potencial de transformar políticas públicas em ganhos para a economia. A ideia é trazer esse aprendizado para o Brasil, com medidas voltadas à redução de custos, melhoria de produtividade e maior foco em resultados para a população.
Para quem observa a cena política, fica claro que Zema mantém contato próximo com nomes da direita. Ele destaca encontros com Ratinho Júnior, Eduardo Leite e Caiado, além de manter relação estável com Flávio Bolsonaro e outros atores relevantes. A leitura dele é de que é possível somar forças entre diferentes legendas da centro-direita, a partir de um objetivo comum: ampliar votos e fortalecer a coligação para chegar ao segundo turno com chances reais. Em suas palavras, a direita está mais afinada do que muitos imaginam, e esse alinhamento pode ampliar o conjunto de apoios necessários para vencer as eleições.
Questionado sobre o que pode adiantar de suas propostas para a economia, o governador reforça que o Estado não pode se prender a velhos hábitos. Ele acusa a política de deixar de fora a meritocracia na hora de nomear gestões, e cita a necessidade de abrir espaço para maior participação do setor produtivo. Ele também ressaltou que o caminho é descapitalizar estruturas que atrasam o desenvolvimento, com foco em privatizações, desburocratização e incentivos a investimentos privados. Ao falar de Minas, ele cita um amplo conjunto de obras concluídas e projetos que fortalecem a capacidade produtiva do estado, como forma de demonstrar que é possível fazer mais com menos e sem perder a qualidade nos serviços públicos.
Entre as novidades administrativas, Zema comenta a organização da campanha: afirma que o governador encontra-se em plena transição de cargo, com agenda carregada e viagens para acompanhar eventos em várias regiões. Ele revela que a equipe de marketing do Novo já trabalha nos bastidores, com Renato Pereira à frente da estratégia de comunicação, além de o presidente do partido, Eduardo Ribeiro, consolidando a montagem da equipe de campanha. O plano, segundo ele, é deixar o governo dentro de poucos dias para se dedicar integralmente à mobilização nacional, mantendo a estrutura pronta para sustentar a operação já na etapa inicial da disputa.
No balanço de gestão, o governador acena com uma autoestima de quem acredita que o trabalho desenvolvido em Minas serve de referência: entregas em hospitais, recuperação de UBS e melhoria da malha rodoviária, que antes enfrentava déficits significativos de manutenção. Ele reitera que a continuidade de projetos depende diretamente da parceria com o vice-governador, Matheus Simões, do PSD, apontado como o braço direito na condução das ações que devem manter o ritmo de aprimoramento após a passagem para o cenário federal. Para Zema, Simões reúne o conjunto de competências e ética necessárias para dar continuidade ao que foi feito e ampliar os resultados a partir de agora.
Em síntese, o mineiro reforça o propósito de apresentar ao Brasil uma agenda de gestão eficiente, com foco em resultados, privatizações estratégicas, meritocracia no serviço público e uma reorganização do sistema político para que o país possa alcançar uma trajetória de crescimento maior e estável. O desafio, segundo ele, é grande — mas a convicção de que é possível melhorar, ao lado de aliados certos, é o que move o seu projeto rumo ao Planalto.