Cinco territórios adquiridos pelos EUA ao longo da história

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5 territórios comprados pelos EUA ao longo de sua história

A compra da Groenlândia, desejada por Donald Trump, tem precedentes na história americana. A compra de territórios foi um dos instrumentos empregados pelos Estados Unidos para se transformar no país gigante que é hoje em dia.

O debate sobre ampliar fronteiras volta à tona de tempos em tempos, e não é novidade que a Groenlândia tenha sido citada como possível peça no quebra‑cabeça geopolítico. Ao longo dos séculos, porém, o crescimento norte‑americano não ficou apenas em guerras: foi também fruto de acordos estratégicos que permitiram incorporar territórios inteiros à nação. Essa prática de aquisição ajudou a moldar o mapa que conhecemos hoje, combinando visão de futuro com necessidades econômicas e militares.

Especialistas observam um paralelo com a Doutrina Monroe, associada à ideia de terra prometida, criada em 1823 para justificar ações de expansão diante de pressões europeias no hemisfério Ocidental. Outros historiadores destacam que Washington, em momentos decisivos, argumentou precisar ter o controle de territórios antes que caíssem nas mãos de rivais. E, na prática, esse impulso expansivo começou já nos primeiros passos da jovem nação, após 1776, abrindo caminho para o território que hoje ocupa grande parte da América do Norte.

A seguir, revisitamos cinco momentos-chave em que os EUA adquiriram terras de outros países, eventos que ajudaram a transformar o país em uma potência continental.

  • A compra da Louisiana (1803) — Numa negociação com a França napoleônica, o então presidente Thomas Jefferson concordou em adquirir um vasto território por $ 15 milhões. A área, que ia desde o atual estado de Louisiana até Dakota do Norte e Montana, ampliou o território em mais de 2 milhões de quilômetros quadrados e impulsionou a visão de expansão para o oeste. Além disso, garantiu o controle do Vale do Mississippi e do porto estratégico de Nova Orleans, reduzindo a influência francesa na região.
  • A Cessão Mexicana (1848) — O impulso expansionista ganhou contorno definitivo após a guerra com o México. O Tratado de Guadalupe Hidalgo definiu que os EUA passariam a deter Texas, Califórnia e uma imensa faixa de territórios que incluía Novo México, Arizona, Nevada, Utah e partes de Colorado, Wyoming, Kansas e Oklahoma, tudo por $ 15 milhões. Os mexicanos encararam essa venda como resultado de uma derrota, mas o mapa norte‑americano mudou para sempre.
  • A Venda de La Mesilla (1853) — Poucos anos depois, uma faixa territorial ao sul do atual Arizona e Novo México foi cedida por $ 10 milhões para facilitar a construção de uma ferrovia transcontinental. Os escravistas do sul viam ali uma rota férrea que conectaria o Golfo do México a Nova Orleans, evitando que o trajeto passasse ao norte pelas Montanhas Rochosas. O território ficou conhecido como Compra de Gadsden nos EUA e como Venda de La Mesilla no México.
  • A Compra do Alasca (1867) — O secretário de Estado William Seward fechou a negociação com a Rússia para adquirir o Alasca por $ 7,2 milhões. Além de ter valor estratégico na época, o território prometia acesso a ricos recursos pesqueiros no Pacífico. A decisão enfrentou críticas e chegou a ser retratada como “a estupidez de Seward”, mas o tempo mostrou o papel decisivo do Alaska na geopolítica e na economia norte‑americana, especialmente durante a Guerra Fria.
  • A Compra das Ilhas Virgens Americanas (1917) — Da Dinamarca, as Índias Ocidentais Dinamarquesas foram vendidas por $ 25 milhões, abrindo espaço para a conectividade regional e para a presença estratégica dos EUA no Caribe. Como parte do acordo, os EUA se comprometeram a não se opor a que a Dinamarca ampliasse seus interesses políticos e econômicos sobre toda a Groenlândia.

No fim das contas, cada uma dessas operações ajudou a escrever o mapa do país que conhecemos hoje, revelando que o crescimento dos EUA passou por caminhos que vão além da ambição bélica — envolveu negociações, interesses econômicos e cenários geopolíticos que ainda hoje ecoam na leitura de mundo de leitores atentos e curiosos.

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Jornalista

Sarah Martins

Jornalista especializada em lifestyle e decoração. Responsável por criar guias, tutoriais e reviews que realmente ajudam nas escolhas.

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