Celina Leão sentiu ‘força contrária’ do governo federal para solucionar caixa do BRB
Governadora, que apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro, espera que questões políticas não atrapalhem negociações
No cenário político do Distrito Federal, a nova governadora Celina Leão encara um desafio que vai além do saldo contábil: o rombo de R$ 12,2 bilhões no BRB, resultado de operações entre o banco público e a Master. O problema exige, além de técnica, habilidade política para manter a confiança de aliados e, ao mesmo tempo, conduzir negociações que passam pela esfera federal e por instituições públicas.
Para desenhar uma saída, o BRB aposta em uma combinação de fontes de financiamento: empréstimos de R$ 4 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e, na sequência, captação de mais R$ 4 bilhões junto a bancos estatais, incluindo a Caixa Econômica Federal. Na prática, esse desenho depende do aval do governo federal, o que transforma a questão em uma arena de decisões que envolve Brasília, o governo federal e instituições públicas paralelas.
Logo após tomar posse, Celina Leão procurou o Ministério da Fazenda em busca de apoio para viabilizar o acordo. Em entrevista a VEJA, a governadora afirmou que o governo federal tem feito uma força contrária para impedir a solução, algo que ela descreve como decisivo para o avanço das tratativas. “O governo federal tem feito uma força contrária para não viabilizar o negócio, uma força contrária muito clara”, afirmou.
As negociações com o ministro da Fazenda ficaram registradas como um passo inicial com a promessa de levar o tema adiante. Celina relatou que o ministro Dario Durigan assumiu o compromisso de encaminhar a questão, dizendo ter feito o apelo: “Fiz um apelo ao o ministro da Fazenda. Falei para ele: ‘olha, é importante um gesto do governo federal em apoio ao BRB, um gesto da Caixa em apoio ao BRB, um gesto do senhor’”. Segundo a governadora, Durigan também se dispôs a dialogar com o presidente Lula e com o presidente da Caixa para avançar no assunto. “O ministro foi muito educado. Ele falou: ‘eu vou sentar com o presidente Lula, vou falar com o presidente da Caixa’”, completou, destacando que a posição política não deve contaminar as decisões técnicas. Celina, aliás, também sustenta que não tem relação formal com a presidência do BRB, apenas a percepção de que as decisões técnicas precisam guiar o caminho.
Além disso, a governadora alegou que sustenta uma postura de prioridade aos interesses locais, inclusive ao destacar que o BRB patrocina projetos alinhados com Brasília. “Eu achava um absurdo o banco patrocinar veleiros em Dubai e não patrocinar os projetos aqui em Brasília, não patrocinar o futebol local, por exemplo”, comentou, sinalizando a crítica de que os recursos da instituição devem favorecer a realidade da população da capital federal.
No fim das contas, o que está em jogo não é apenas uma operação de crédito. Trata-se de manter o BRB em condições estáveis, preservando a credibilidade da instituição diante de clientes e do mercado, ao mesmo tempo em que se buscam soluções viáveis sem que a política interfira nas escolhas técnicas. No dia a dia, essa equação envolve prazos, aprovações e a construção de uma ponte entre o governo local, o governo federal e as entidades envolvidas, para que a população possa sentir os impactos positivos de uma gestão responsável.
Mas, afinal, o que isso muda para o cidadão comum? A expectativa é de que, com avanço nas tratativas e sinalização de apoio institucional, haja mais segurança para manter operações, crédito e serviços acessíveis. No ritmo da política e da economia, resta acompanhar a evolução das negociações e entender como cada movimento pode influenciar o dia a dia do DF e a percepção sobre o papel das instituições estatais no suporte às contas públicas.