Como Castro quer convencer Flávio Bolsonaro sobre favorito para tampão

Ouvir esta notícia

Como Castro pretende convencer Flávio Bolsonaro sobre seu preferido para o mandato-tampão

Os próximos passos passam pela decisão no PL e pela leitura dos cenários que envolvem Nicola Miccione, Altineu Cortes e a disputa pela gestão do estado até o fim de 2026

No centro da agenda política fluminense está a definição do nome que ficará à frente do governo regional no período de transição, em meio à eleição indireta na Alerj. Cláudio Castro precisa bater o martelo, mas o caminho não está simples: envolve costurar apoio entre partidos, ajustar a leitura de cada sigla e lidar com o calendário curto que separa o anúncio da prática administrativa. Com Castro afastando-se para concorrer ao Senado, o cargo que ficará vago no Palácio Guanabara é disputado pelas alas marcadamente distintas dentro do cenário local, e tudo aponta para uma decisão que deverá ser consolidada pela bancada da Assembleia.

A tônica das conversas que correm nos bastidores é a defesa de Nicola Miccione, secretário da Casa Civil, visto como alguém técnico e com conhecimento aprofundado da máquina pública. Há a percepção, segundo alguém ligado ao governo, de que o senador Flávio Bolsonaro não está estritamente intransigente em relação ao escolhido de Castro, o que alimenta a expectativa de um desfecho em breve. A ideia é, de fato, bater o martelo sobre a composição, ainda que haja entraves institucionais para que isso ocorra de forma rápida.

Enquanto isso, o cenário se complica pela inevitable desincompatibilização de Castro, que passa a dar espaço aos deputados estaduais para decidirem quem ocupará o Palácio Guanabara no restante deste ano, já que o estado não tem vice. A definição de nomes para a votação interna da Alerj ficará, em última análise, a cargo dos partidos, um ponto que funciona como verdadeiro obstáculo para a estratégia do governador. E, no baralho, o poder do PL no estado é representado pelo deputado federal Altineu Côrtes, que tem defendido Douglas Ruas, secretário estadual das Cidades e filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, para o mandato-tampão. Caso esse cenário se realize, Ruas já entraria na corrida para governador em outubro, com a máquina pública nas mãos para viabilizar a campanha.

Para avaliar essa aposta, a experiência importa. Nicola Miccione é apontado como o elemento que pode manter o continuum administrativo diante do delicado quadro fiscal do estado — o rombo já supera R$ 19 bilhões neste ano. Por outro lado, Douglas Ruas é visto por muitos como alguém sem experiência sólida no Executivo, o que aumenta dúvidas sobre a capacidade de governar enquanto também atua na campanha pelo interior do estado.

No bastidor, Castro fez questão de deixar claro o que está em jogo. “Eu preciso ter a garantia de que quem ficar no meu lugar, caso eu saia, tenha condições de tocar o estado mesmo com esse déficit até o final do ano”, comentou, ressaltando sua responsabilidade com a população até 31 de dezembro. E completou: “Meu único projeto é o secretário Nicola, exatamente por conhecer bem a máquina, saber o que precisa fazer até o fim.”

Nicola, por sua vez, já foi às rodas de conversa e reforçou que seu compromisso é preservar a gestão do governo Castro, mantendo a defesa do candidato do campo da centro-direita. Com ele no poder, Castro acredita que aliados e a estrutura já montada não serão remexidos, o que é visto como essencial para sustentar a sua candidatura ao Senado. A preocupação, claro, é que, caso alguém diferente assuma, poderão recaírem sobre ele críticas pela condução da gestão e, principalmente, pela área fiscal, justamente no momento de campanha.

Essa relação entre Nicola e Castro, porém, encontra resistência na cartada oposta. Para o grupo favorável a Flávio Bolsonaro, a “solução Nicola” seria a mais confortável para Eduardo Paes (PSD), o único pré-candidato oficializado ao governo até o momento. De olho no eleitorado conservador fora da capital, o PSD tende a favorecer uma janela onde alguém do PL leve a condução no curto prazo, facilitando alianças e mantendo Paes com a caneta na mão, sem enfrentar adversários diretos com mais densidade institucional no estado. Enquanto isso, a esquerda na Alerj segue sem perspectivas claras, o que alimenta o equilíbrio de forças em torno do que possa surgir de uma eventual composição.

Para não perder o fio da meada, a avaliação de cenários aponta outras possibilidades: se Flávio Bolsonaro aceitasse Nicola, o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, poderia ser um nome a concorrer contra Paes no espectro de governabilidade. E, mesmo com essa lógica, o PL permanece dividido, o que ajuda o PSD a ampliar alianças à direita e a dialogar com votantes conservadores fora da capital. Fato é que, com o jogo em aberto, cada movimento é decisivo para definições que impactam, no dia a dia, quem fica com o poder público ao longo dos próximos meses.

O que achou deste post?

Jornalista

Sarah Martins

Jornalista especializada em lifestyle e decoração. Responsável por criar guias, tutoriais e reviews que realmente ajudam nas escolhas.

AO VIVO Sintonizando...