Deepfakes sexuais: crime está ficando mais comum no Brasil
A maior parte das denúncias registradas na SaferNet em 2025 estava relacionada a imagens de abuso e de exploração sexual infantil
No dia a dia digital, o Dia da Internet Segura é lembrado como alerta para uso responsável da rede. Instituído em 2004 pela Comissão Europeia, em parceria com a rede Insafe, o movimento mobiliza mais de 180 países com ações de conscientização sobre riscos e boas práticas no ambiente online.
Conforme o Identity Fraud Report 2025–2026, ataques que envolvem deepfakes cresceram 126% no Brasil em 2025. Nesse cenário, a SaferNet Brasil traçou o recorte das deepfakes sexuais em escolas: imagens ou vídeos de nudez criados com inteligência artificial sem o consentimento das vítimas.
Foram identificadas 173 vítimas de deepfakes sexuais em instituições de ensino públicas e privadas de dez estados do país. O estado de São Paulo lidera com 51 vítimas, seguido por Mato Grosso (30), Pernambuco (30) e Rio de Janeiro (20). Todas as vítimas identificadas são mulheres — alunas e professoras. O levantamento aponta 60 autores dos crimes. O relatório completo deve ser divulgado no próximo mês. O trabalho conta com recursos do fundo SafeOnline, vinculado ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), e teve início em 2023, com monitoramento de notícias. A SaferNet também opera a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, que recebe atendimento e encaminha ocorrências relacionadas ao tema.
A central recebeu 264 links (URLs) relacionados a esse tipo de crime desde 2023. Analisamos 264 links reportados que podiam ter vínculo com o compartilhamento de deepfakes sexuais não consentidos e de materiais artificiais de abuso sexual infantil. Desses, 125 continham imagens reais de abuso sexual infantil, explica a pesquisadora Sofia Schuring. Além disso, 8% dos links analisados tinham conteúdo artificial de abuso e exploração sexual infantil. Também foram contabilizados dez casos de deepfakes envolvendo adultos e vinte casos de vazamento de imagens íntimas reais, sem uso de IA. A SaferNet aponta que esses conteúdos são compartilhados por grupos organizados, que utilizam bots para notificação, aplicativos de mensagem e fóruns na dark web. Nesse contexto, a organização defende o bloqueio das ferramentas de notificação e a asfixia financeira dessas redes.
Outros dados da SaferNet apontam que, no conjunto de denúncias de crimes cibernéticos, a central recebeu 87.689 novas queixas, um aumento de 28,4% em relação a 2024. A maior parte era relacionada a imagens de abuso e de exploração sexual infantil, com 63.214 notificações — esse é o segundo maior registro já observado, ficando atrás apenas de 2023 (71.867). Segundo a entidade, as IAs têm contribuído para esse crescimento. No campo de categorias, destacam-se a misoginia, com 8.728 casos — aumento de 224,9% no período; 4.752 denúncias de apologia e incitação a crimes contra a vida; 3.220 casos de racismo; 755 de xenofobia (queda em relação a 2024, que registrou 3.449). O tráfico de pessoas permanece em patamar estável, com 442 ocorrências. A lista de temas também engloba intolerância religiosa, LGBTfobia, neonazismo e maus-tratos a animais.