Bolsonaro recebe alta médica e vai para prisão domiciliar em Brasília

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Bolsonaro recebe alta do hospital e vai para prisão domiciliar em Brasília

Ex-presidente esteve internado desde o dia 13 de março, em tratamento para uma broncopneumonia bilateral.

O ex-presidente Jair Bolsonaro deixou o hospital DF Star, em Brasília, nesta sexta-feira (27/3/2026), e já inicia o cumprimento da prisão domiciliar em sua residência no Distrito Federal. A alta encerra uma fase de internação que começou no dia 13 de março, quando ele foi hospitalizado com uma broncopneumonia bilateral.

De acordo com a família médica, Bolsonaro deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no dia 24 de março e foi transferido para um quarto, mantendo o acompanhamento necessário para a nova etapa da pena. No horizonte está o regime de prisão domiciliar, definido pela decisão do STF, com a avaliação de saúde para eventual retorno ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.

O tribunal determinou que a prisão domiciliar tenha início com duração temporária de 90 dias, contados a partir da alta. Ao fim desse período, será realizada nova avaliação de saúde para decidir se o ex-presidente pode retornar a permanecer no local de detenção, ainda que sob medidas de monitoramento.

Entre as regras estabelecidas, Moraes estabeleceu restrições firmes para evitar aglomerações: fica proibido qualquer acampamento, manifestação ou aglomeração de pessoas em um raio de um quilômetro do endereço residencial de Bolsonaro.

A medida foi consolidada depois que o Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, manifestou-se favoravelmente à prisão domiciliária, em conjunto com a reunião entre Michelle Bolsonaro e Moraes, na semana passada, para tratar do estado de saúde do marido e reforçar os argumentos a favor da medida.

No parecer favorável, o PGR sustentou que houve agravamento da condição médica de Bolsonaro em relação ao início de março, quando um novo pedido de prisão domiciliar já havia sido negado pelo STF. A avaliação aponta que o ambiente familiar oferece a atenção necessária que o quadro exige, sem recorrer ao cenário prisional.

É importante lembrar que o ex-presidente já teve uma história de internações e cirurgias desde o ataque de 2018. O entendimento, segundo o parecer, é de que as condições de saúde demandam atenção constante, e que a transição para um regime domiciliar é mais adequada no momento, mantendo o acompanhamento médico contínuo.

Antes deste desfecho, Bolsonaro já havia vivenciado oscilações no regime de detenção. Ele chegou a permanecer em casa durante o curso do processo que resultou na condenação a mais de 27 anos, por tentativa de golpe de Estado. Em novembro, no entanto, foi transferido para uma cela especial da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, após tentar romper a tornozeleira com solda. Em janeiro, houve nova mudança, para a Papudinha, onde as condições são distintas e, segundo a avaliação, mais adequadas para o tratamento médico.

Entre os episódios recentes, ele esteve no DF Star em 7 de janeiro para realizar exames após uma queda que o deixou com sinais clínicos no uso de cabeça. Ainda no fim do ano passado, ele havia passado por cirurgia para corrigir hérnias na virilha e, posteriormente, passou por procedimentos ligados ao controle de soluços.

A defesa havia apresentado, em janeiro, um pedido de prisão domiciliar de caráter humanitário, alegando que o estado de saúde poderia se agravar com a manutenção em regime fechado. O STF, porém, negou o pleito na ocasião. Em março, Moraes voltou a negar o pedido, defendendo que as instalações da Papudinha oferecem atendimento médico adequado e que a tentativa de violar a tornozeleira no ano anterior pesou na decisão.

Após a nova internação em 13 de março, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência, criticou as negativas à prisão domiciliar, afirmando que as decisões afetavam diretamente a vida do pai.

Com a alta hospitalar, Bolsonaro passa a cumprir a prisão domiciliar em Brasília, em um desfecho que mantém sob escrutínio os desdobramentos médicos e jurídicos da sua situação. No dia a dia, a expectativa é de que haja monitoramento contínuo da saúde e do ambiente ao redor, com atenção para possíveis ajustes no regime conforme a evolução clínica.

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Jornalista

Renata Oliveira

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