Em dez anos, câncer de pele cresce 1.500% no Brasil
Dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) mostraram um aumento significativo nos casos de câncer de pele no Brasil
O cenário do câncer de pele no Brasil ganhou contornos alarmantes. Entre 2014 e 2024, o número de diagnósticos saltou de aproximadamente 4 mil para 72 mil, um incremento de 1.500% em apenas uma década. Esses números, divulgados pela SBD, revelam o peso da doença na população e a necessidade de prevenção aliada a um diagnóstico precoce.
Na prática, a proteção da pele não se resume a uma única atitude. A prevenção realmente eficaz envolve uma combinação de proteção solar química, proteção física e hábitos diários. Em termos simples, é preciso usar o protetor com a quantidade adequada, reaplicá-lo ao longo do dia e buscar medidas que reduzam a exposição, como roupas de proteção e sombra. A orientação da SBD é clara: aplicar o protetor e reponê-lo a cada duas horas, sobretudo durante atividades físicas intensas ao ar livre.
Mas o que explica esse crescimento expressivo? Entre os fatores apontados, o envelhecimento da população ocupa posição de destaque: com o passar dos anos, a pele fica exposta à radiação solar por mais tempo, elevando o risco. Dados do DATASUS indicam que, entre 2018 e 2023, os diagnósticos ocorreram com mais frequência entre pessoas na faixa de 70 a 79 anos.
Outro elemento importante é a distribuição regional. As regiões Sul e, principalmente, o Sudeste registram maior número de casos, o que está relacionado à presença de um grupo maior de pessoas com pele clara, mais sensíveis aos danos solares. Em entrevista, o professor Bruno Fantini, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, aponta que o acesso mais rápido a exames médicos nessas regiões facilita o diagnóstico, contribuindo para números mais altos.
Além disso, a baixa adesão a cuidados preventivos também contribui para o quadro. Registros apontam que a doença tem maior incidência entre homens, que respondem por uma parcela significativa dos casos. O líder do Centro de Referência em Tumores Cutâneos do ACCamargo Cancer Center, Dr. João Duprat, ressalta que a falta de atitudes preventivas entre o público masculino deve ser considerada como um fator relevante.
No dia a dia, como se proteger de forma prática? A orientação de Fantini é direta: mesmo em um país tropical, vale reforçar o uso de protetor solar com FPS adequado e adotar estratégias para reduzir a exposição, como ficar na sombra durante os horários de maior calor, vestir roupas de proteção, usar bonés ou chapéus e manter o uso diário do protetor com reaplicação conforme necessário.
- Aplicar protetor solar diariamente e reaplicá-lo a cada 2 horas
- Usar roupas de proteção, boné/chapéu e buscar sombra
- Consultar dermatologista para diagnóstico precoce quando surgirem sinais suspeitos
Para a saúde pública, Fantini aponta três pilares fundamentais: investir em educação nas escolas para ensinar as crianças a se proteger do sol, facilitar o acesso rápido ao dermatologista para diagnóstico precoce e ampliar as campanhas de prevenção ao câncer de pele ao longo de todo o ano, não apenas no verão. No plano individual, o Dr. Duprat reforça o FPS como principal defesa contra os raios UVA e UVB, complementando com sombra, roupas de proteção e a prática diária de proteção solar.
No fim das contas, o panorama reforça que o câncer de pele é, em muitos casos, evitável. Ainda assim, na última década o país registrou mais de 30 mil óbitos atribuídos à doença, números que ressaltam a importância de hábitos preventivos e do diagnóstico precoce para salvar vidas e manter a pele saudável por mais tempo.