Bitcoin cai para mínimos desde que Trump assumiu o poder
O preço do bitcoin recuou para o nível mais baixo dos últimos 15 meses, mesmo com o apoio declarado do Presidente dos EUA, Donald Trump, às criptomoedas. A derrocada acontece após meses de valorização que levaram o ativo a novos patamares históricos, mantendo o giro ao redor de US$ 65 mil por unidade (cerca de €54.600).
O recuo recente no universo das criptomoedas chamou a atenção de investidores e curiosos. O bitcoin fechou a semana cotado em torno de US$ 65 mil por moeda, equivalente a cerca de € 54,6 mil, seu patamar mais baixo em 15 meses. Ainda assim, o ativo acumula queda de aproximadamente 24% desde o começo de 2026, refletindo uma virada após uma fase de valorização que o levou a máximos históricos. Além disso, a moeda perdeu cerca de 32% no último 12 meses, aproximando-se de níveis vistos no começo de 2024 e também em 2021.
Essa movimentação acontece depois de uma fase de alta marcante, que levou o bitcoin a um recorde próximo de US$ 124 mil em outubro, antes de cair. O cenário atual provoca leitura e debate entre analistas sobre o que pode vir a frente para o maior ativo digital do mercado.
Quanto ao papel político de Trump, a influência é tema de discussão. Ao retornar à Casa Branca, o presidente assinou medidas para tornar os EUA a “capital mundial das criptomoedas”. Além disso, lançou uma criptomoeda propia no primeiro ano de mandato, com boa parte dos ganhos supostamente direcionados a empresas ligadas ao grupo. Conectado a isso, manteve vínculos com a World Liberty Financial, veículo de investimentos em cripto pertencente à família Trump. Em paralelo, o governo aprovou regras para enquadrar as moedas digitais em âmbito federal e dissolveu uma equipe do Departamento de Justiça voltada à aplicação regulatória setorial. A SEC, por sua vez, encerrou diversas investigações e ações de fiscalização no segmento.
Em novembro, democratas do Comitê Judiciário do Senado criticaram a agenda pró-cripto defendida pela administração, apontando participações avaliadas em mais de US$ 11 bilhões e rendimentos pessoais em torno de US$ 800 milhões com transações desde que Trump reassumiu o cargo. Com a queda registrada, o bitcoin sinaliza um ajuste que vem acompanhando um movimento de alta anterior, mas sem abandonar a probabilidade de novos desdobramentos de política econômica.
Por que o bitcoin está perdendo valor? Analistas do Deutsche Bank apontam que o gatilho recente pode ter sido a nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve, o que alimenta expectativas de uma política monetária mais agressiva, com juros elevados. Em linhas gerais, o aperto monetário costuma penalizar ativos de maior risco, como as criptomoedas, enquanto cenários mais expansionistas tendem a favorecer esse tipo de investimento. O banco vê uma tendência de queda nos últimos quatro meses e um ambiente de pessimismo crescente, ainda que veja o setor não desaparecendo nem retornando aos pico anteriores apenas com apoio político.
William Barhydt, CEO da Abra Capital Management, concorda com a ideia de amadurecimento do mercado. Ele acredita que uma recuperação não seria surpreendente diante da história volátil do bitcoin, desde que não haja um choque extremo, como um conflito global. Em paralelo, outras moedas populares, como ethereum e solana, também registraram recompras fortes e recuos de cerca de 37% desde o começo de 2026. Dados da CoinGecko mostram que o mercado de cripto perdeu bilhões de dólares em valor apenas no último mês, com quedas ainda maiores desde o pico de outubro. Já a Stifel indicou aos seus clientes que o preço do bitcoin poderia cair até US$ 38 mil, sinalizando uma nova trajetória de aproximação do ativo mais próximo do comportamento do dólar norte-americano. Nos últimos dias, o dólar também recuou para uma cotação de baixa relativa, o que por si só não muda a visão de longo prazo, mas reforça o cenário de volatilidade.
No fim das contas, o bitcoin parece entrar em uma nova fase: menos apenas especulativo, buscando encontrar seu papel específico dentro do sistema financeiro. A leitura prática para o investidor é clara: o mercado amadurece, mas as oscilações continuam, e o cenário regulatório, bem como a condução da política econômica, vão impor o ritmo dos próximos movimentos.
- Preço atual em torno de US$ 65 mil por unidade
- Queda de cerca de 24% no ano e ~32% nos últimos 12 meses
- Avaliação de medidas regulatórias nos EUA e o papel de Trump no setor
- Possível queda para níveis próximos de US$ 38 mil segundo previsões de analistas