Prazo vence, TikTok permanece em limbo nos EUA

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Prazo chega ao fim, TikTok continua em limbo nos Estados Unidos

Apesar do encerramento formal nesta terça-feira, decretos de Trump mantêm o jogo em suspenso para 2026

O debate sobre a venda do TikTok nos Estados Unidos chega a mais um momento decisivo. O prazo formal para que a plataforma seja vendida a investidores americanos — ou tenha a operação bloqueada no país — se encerra nesta terça-feira (16), após uma sequência de adiamentos assinados pelo presidente Donald Trump. No papel, tudo parece claro: vender ou sair do cenário norte-americano. Na prática, porém, o relógio acompanha dois caminhos diferentes.

Na prática, há dois prazos correndo ao mesmo tempo. O primeiro é político: o decreto de Trump criou 90 dias para que negociações avancem de forma concreta. Já o segundo decreto, assinado em 25 de setembro, suspendeu a aplicação da lei por 120 dias e empurrou qualquer consequência prática para 23 de janeiro de 2026. O resultado é um nó que facilita o exagero: o prazo — em discurso — está chegando ao fim, mas não há efeito automático que imponha banimento imediato sem acordo fechado.

Além disso, ainda existe a possibilidade de manter o TikTok funcionando, mesmo sem um acordo definitivo, graças a um decreto posterior. Ou seja, seguimos num limbo: decretos, leis e negociações se cruzam, e a pauta central — segurança nacional — continua no centro das atenções. No dia a dia, isso se traduz em uma incerteza que entra pelas decisões legais, sem que uma solução clara apareça de imediato.

Para entender o modelo em jogo, o governo tem indicado a criação de uma empresa operando nos Estados Unidos, na qual investidores locais ficariam com cerca de 80% do controle, enquanto a participação chinesa ficaria abaixo de 20%, para reduzir a influência direta da ByteDance. A ideia seria manter o TikTok funcionando sob regras próprias de governança, desde que haja aprovação suficiente para o desfecho da operação. Nesse cenário, não é apenas uma questão de levantar dinheiro; é sobre quem manda, em qual país e sob quais condições.

Quem poderia comprar o TikTok, e por que o acordo ainda não decola, são perguntas que continuam movendo as coberturas. Segundo o Wall Street Journal, já surgem nomes com pretensão de assumir o controle em território americano. Entre os cotados aparecem um trio de pesos pesados: Oracle, Silver Lake e Andreessen Horowitz, vistos como potenciais parceiros para uma estrutura que dê esse contorno de governança americano. Além deles, há também investidores que não pertencem ao círculo direto de Trump.

  • Oracle, Silver Lake e Andreessen Horowitz — citados como possíveis compradores em discussão pública.
  • Frank McCourt — empresário americano à frente do Project Liberty, grupo que reúne nomes como Alexis Ohanian e Kevin O’Leary, pronto para avançar caso haja oportunidade.
  • O obstáculo central continua sendo Pequim: sem a anuência da China, necessária para qualquer venda de ativos estratégicos, o acordo não avança de forma real.

No dia a dia, o que está em jogo não é apenas um título de audiência ou a viabilidade financeira de uma empresa. Trata-se de uma decisão com impacto direto na disponibilidade de uma das plataformas de vídeo mais populares do mundo, com implicações de segurança nacional e de governança de dados de milhões de usuários. Enquanto as negociações avançam — ou estalam — a vida de quem usa o TikTok nos EUA segue como de costume, por enquanto.

No fim das contas, o cenário é paradoxal: o prazo chega ao fim, mas não há sinal claro de banimento imediato nem de acordo consumado. Entre decretos, atuações do Congresso e negociações em curso com a China, o TikTok permanece ativo, ainda que sob vigilância apertada e com o futuro incerto.

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Jornalista

Sarah Martins

Jornalista especializada em lifestyle e decoração. Responsável por criar guias, tutoriais e reviews que realmente ajudam nas escolhas.

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