Votantes catarinenses criticam oportunismo e rejeitam Carlos Bolsonaro

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Eleitores de SC criticam oportunismo e rejeitam Carlos Bolsonaro

Dificuldades também na família: Michelle Bolsonaro resolveu apoiar os principais adversários de Carlos na disputa pelo Senado em Santa Catarina

Em Santa Catarina, o movimento político que envolve a família bolsonarista tem ganhado contornos de curiosidade para o público em geral. No centro da discussão está a percepção de que a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado aparece, para muitos eleitores, como um passo estratégico de oportunismo. No dia a dia, o cenário que emerge é de cautela: os catarinenses observam com atenção cada movimento do clã e avaliam se a mudança de estado traz algo de concreto para a população.

O Partido Liberal já desenha, para maio, a largada oficial da corrida de Carlos pelo Senado em Santa Catarina. Ele atuou como vereador no Rio de Janeiro por um quarto de século, até renunciar em dezembro para tentar uma vaga em Santa Catarina. Na prática, a aposta é mostrar que a transferência de votos entre estados continua firme dentro da estratégia familiar, especialmente enquanto Jair Bolsonaro enfrenta questões legais que o colocam fora de disputa pela próxima janela eleitoral.

Essa leitura de transferência de apoio tem o aval do governador Jorginho Melo, que tenta a reeleição e, segundo a leitura de bastidores, acabou freando, de modo duplo, a candidata ou o candidato do PL que poderia surgir para o Senado catarinense. Ainda que a leitura oficial seja de união, muitos catarinenses percebem que houve um descompasso entre o que se planeja de lá e o que o eleitor local entende de lá. Em pesquisa recente da AtlasIntel, metade dos eleitores expressou desconfiança sobre a manobra, sinalizando que o movimento pode não ressoar bem com o desejo da maioria local.

Além disso, 49% dos entrevistados classificaram a estratégia como contrária aos interesses de Santa Catarina, enquanto apenas uma parcela menor viu potencial para ganhos regionais. A percepção de oportunismo, portanto, ocupa o centro das atenções, ainda que haja quem reconheça a legitimidade da decisão de Jair Bolsonaro de orientar o descolamento do filho para outras estruturas políticas. Nesse espectro, apenas 20,6% valorizaram essa lógica de realocação como algo legítimo, quase como um aval aberto para a mudança de endereço e de pauta.

O apoio explícito ao nome de Carlos dentro do eleitorado permanece restrito. Hoje, o contingente que sustenta a opção Bolsonaro não alcança nem um quarto do eleitorado: 25,6%. Esse patamar, embora expressivo para um migrante político que chega de outra unidade federativa, fica menor que a soma de rejeição que se aponta entre o público catarinense. De fato, quase metade dos eleitores mantém uma imagem negativa do candidato, o que tende a dificultar a construção de uma base sólida para a campanha.

Ao comparar com os concorrentes diretos à vaga do Senado, a história fica ainda mais inequívoca: a rejeição a Carlos supera, em grande parte, o que se observa em frente aos rivais mais próximos. A deputada Carol De Toni aparece com 26% de avaliação desfavorável entre o público, enquanto o senador Esperidião Amin registra 29% de rejeição. Na prática, os números sinalizam que o caminho entre o favoritismo de outros nomes e o lançamento do próprio Carlos é estreito e repleto de dúvidas para o eleitor catarinense.

E as dificuldades não ficam apenas nas bases de apoio: o ambiente familiar também aponta para tensões. Michelle Bolsonaro, mulher de Jair, acabou apoiando recentemente a deputada Carol De Toni e, mais recentemente, o senador Amin, que lideram as expectativas na corrida ao Senado. O recorte familiar é, nesse quadro, um reflexo claro de que a estratégia de mobilizar a bancada e uma parcela do eleitorado pode não refletir, de modo único, a vontade popular em Santa Catarina. No fim das contas, quem acompanha de perto a cena política se pergunta qual impacto real essas escolhas terão na prática eleitoral e como isso tudo dialoga com as prioridades dos catarinenses.

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Jornalista

Sarah Martins

Jornalista especializada em lifestyle e decoração. Responsável por criar guias, tutoriais e reviews que realmente ajudam nas escolhas.

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