O bolsonarismo está cada vez mais isolado
Por Lydia Medeiros. Lançamento de Flávio Bolsonaro à presidência expõe divisões na direita e abre espaço para reorganização da centro-direita.
Flávio Bolsonaro revelou ter sido designado pelo pai, Jair Bolsonaro, para disputar a Presidência em 2026. Segundo líderes de siglas de direita e de centro, o anúncio não veio acompanhado de avisos prévios; ele perguntou a imprensa apenas para confirmar a decisão e partiu para a própria campanha, quase em voo solo. O senador recebeu um apoio público de Gilberto Kassab, presidente do PSD, que desejou boa sorte. Já o deputado Doutor Luizinho Teixeira, líder da bancada da Federação PP-União Brasil, comentou que o movimento pode liberar o grupo para desenhar uma candidatura alternativa.
Do quarto que hoje funciona como cela na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, o ex-presidente, ao endossar a candidatura do filho 01, acabou por isolar ainda mais o PL e abriu espaço para uma reorganização da centro-direita na corrida eleitoral. Esse isolamento fica ainda mais evidente quando observamos o andamento no Congresso.
Horas depois de anunciar a candidatura, Flávio disse que poderia mudar de ideia, mas deixaria claro que haveria um preço: a anistia a Jair Bolsonaro e a restituição de seus direitos políticos. No ajuste do caminho, a Câmara demais passos tomou uma direção diferente: foi aprovado o PL da Dosimetria, que, se confirmado pelo Senado, poderá reduzir a pena do ex-presidente, de 27 anos, mas manteria a inelegibilidade.
Essa movimentação do ex-presidente ao lançar o filho acelera disputas internas e favorece adversários. No dia a dia político, vê-se uma centro-direita que se fragmenta em frentes distintas, enquanto novas lideranças ganham espaço para contestar formatos tradicionais.
Entre os desdobramentos, vale ficar de olho em como as alianças vão se redesenhar nos próximos meses e como cada força pretende se posicionar para o pleito de 2026. No fim das contas, o cenário aponta para uma centro-direita menos coesa, porém politicamente mais mutável e aberto a surpresas.
- Isolamento do PL e tentativa de reorganização da centro-direita.
- Possibilidade de anistia a Jair Bolsonaro como condição para acordos futuros.
- Aprovação do PL da Dosimetria pela Câmara, com potencial redução da pena, mas sem retorno às urnas.
- Impacto direto no Congresso e no redesenho de alianças da oposição.