Depois de ‘politicamente acabados’, Bolsonaros voltam à cena com ‘candidatura forte’ de Flávio, diz FT
De acordo com o Financial Times, no final do ano passado a família Bolsonaro parecia politicamente derrotada; porém, a candidatura de Flávio Bolsonaro está reconfigurando o cenário.
Um retrato recente do Financial Times aponta que Flávio Bolsonaro, o senador mais velho da família, emerge como um candidato altamente competitivo nas eleições presidenciais desta temporada. Segundo a reportagem, até o fim do ano anterior a família parecia sem fôlego, com o ex-presidente Jair Bolsonaro — condenado a 27 anos por conspiração para golpe de Estado — preso e depois liberado da prisão domiciliar ao romper uma tornozeleira. Ao lado dele, Eduardo, seu filho mais combativo, havia sido expulso do Congresso e vivia em autoexílio nos Estados Unidos. No entanto, o texto aponta que a equipe está articulando um retorno rápido à cena pública, situação alimentada pela proximidade das eleições.
À medida que se aproxima o pleito, Flávio, de temperamento mais moderado, surge como uma figura importante. A reportagem do FT afirma que, a seis meses da votação, ele aparece como possível candidato de alto desempenho e com chances de empate ou até liderança sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No estudo de cenário apresentado pela publicação, a ideia de uma mudança de geração na política brasileira é destacada: “O Brasil precisa urgentemente de mudanças, de um governo mais jovem, moderno e com mais energia”, disse Flávio em entrevista ao jornal. Ainda assim, o FT observa que ambos os candidatos carregam elevados índices de rejeição, e que a estratégia de Flávio se aproxima da de seu pai em alguns pontos-chave, especialmente na linha de comunicação pública.
O jornal descreve que a campanha de Flávio tende a manter, na prática, uma mistura entre posições de extrema-direita em temas sociais e criminalidade com uma visão centro-direita sobre a economia, além da defesa de que o próprio Bolsonaro pai foi injustamente condenado. Entre as propostas associadas ao seu(len) aparato de campanha estão uma maioridade penal que poderia chegar a 16 anos, ou até 14 em casos de assassinato e estupro, redução de impostos e maior espaço para privatizações. Em paralelo, o FT indica que o time de Lula deverá atacar Flávio por episódios como a rachadinha na Assembleia do Rio e eventuais vínculos com milícias — acusações que Flávio nega veementemente.
Além disso, a reportagem levanta questionamentos sobre se o senador estaria realmente preparado para suportar as pressões de uma campanha nacional. Ainda que tenha mais de duas décadas de vida pública, o FT aponta dúvidas sobre a sua capacidade de aguentar o ritmo de uma corrida presidencial. O texto relembra também a derrota em 2016 na campanha para a prefeitura do Rio de Janeiro, quando ele quase desmaiou em debate e acabou novinho na disputa, terminando em quarto lugar.
O artigo encerra descrevendo que Flávio recebe visitas no escritório em Brasília, no local ocupado pelo pai, mas evita ocupar a cadeira atrás da mesa. “Jamais chegarei perto dele”, afirma ao Financial Times. “Seria como comparar o filho de Pelé com o próprio Pelé.”