Maduro pede rejeição do processo nos EUA por disputa sobre honorários advocatícios
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, se declararam inocentes em 5 de janeiro das acusações de tráfico de drogas que podem levá-los à prisão nos EUA por décadas
No dia em que o caso tramita nos tribunais americanos, o presidente venezuelano deposto Nicolás Maduro pediu a um juiz dos Estados Unidos que rejeitasse o processo criminal que o envolve por tráfico de drogas, citando uma disputa sobre o pagamento de honorários advocatícios. Segundo a defesa, o governo dos EUA interfere na defesa ao impedir que o governo venezuelano financiasse a atuação jurídica de Maduro.
Maduro e a sua esposa, Cilia Flores, se declararam inocentes em 5 de janeiro das acusações que podem resultar em décadas de prisão nos Estados Unidos, e permanecem detidos em Nova York, aguardando o desenrolar do julgamento.
Na linha de frente da defesa, o advogado de Maduro, Barry Pollack, ressaltou que, em 9 de janeiro, o Tesouro Americano concedeu uma exceção às sanções para permitir que o governo venezuelano pagasse os honorários, mas essa permissão foi retirada horas depois, sem explicação. Essa mudança, na visão da defesa, compromete o direito do réu a um advogado, conforme alegado na petição apresentada nesta quinta-feira.
Pollack também argumentou que o desenrolar da cobrança financeira prejudica a liberdade de Maduro de ser representado, citando a proteção da Sexta Emenda da Constituição dos EUA. A defesa sustenta que, sem esse financiamento, não é viável continuar a atuação do advogado.
Do outro lado, um porta-voz da Procuradoria de Manhattan que apresentou as acusações não respondeu imediatamente a um pedido de comentário, mantendo o silêncio típico de casos ainda em fase processual.
A história também ganha contornos de bastidores com o que aconteceu em Caracas no início do ano. Forças especiais dos EUA capturaram Maduro e sua esposa em uma operação noturna de 3 de janeiro, após meses de pressão por parte do governo do presidente Donald Trump para que o líder socialista renunciasse. Os promotores sustentam que Maduro abusou do poder para favorecer traficantes de drogas ao longo de seus 13 anos no cargo.
No dia a dia, o que está em jogo é a forma como pressões políticas, sanções e recursos jurídicos se cruzam com casos criminais de alto perfil. No fim das contas, a disputa sobre quem paga os honorários pode influenciar não apenas o andamento do processo, mas também a percepção pública sobre a condução do caso em meio a tensões entre países.