PT vai usar inserção na TV para atacar Flávio Bolsonaro em estreia de nova estratégia de Lula
Propaganda partidária da sigla terá início no próximo dia 23 e será realizada ao longo dos meses de maio e junho na TV e no rádio.
O PT intensificará o uso do tempo de inserções de propaganda partidária no rádio e na TV para mirar o seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL. Em tom de leitura de cenário, a base de Lula já espera que a resposta à ofensiva ganhe força a partir deste mês de abril.
A guinada estratégica ocorreu após pesquisas apontarem Lula com desempenho estável, enquanto Flávio Bolsonaro crescia na corrida presidencial. O último levantamento Genial Quaest, divulgado em 11 de março, mostrava empate técnico entre eles em 41% para um eventual segundo turno. Já a pesquisa de fevereiro mostrava Lula em 43% e Flávio com 38%.
As ações de ataque incluem não apenas a verba de TV e rádio, mas também atuação coordenada nas redes sociais e trabalho de base em cidades-chave, segundo uma fonte que pediu anonimato. No dia 17, a cúpula do PT aprovou uma resolução que formaliza a mudança estratégica, associando Flávio Bolsonaro a uma suposta ameaça de continuidade de um “projeto político baseado no ataque à democracia”.
No dia a dia, a nova linha de comunicação pretende manter o discurso polarizado, apresentando Lula como alternativa decisiva frente a um projeto que, na visão petista, estaria ligado a episódios do passado e a ataques à democracia. Isso está alinhado aos objetivos anunciados pela direção do partido para o pleito deste ano.
Segundo o documento estratégico, 20 minutos de inserções em TV e rádio serão distribuídos ao longo do primeiro semestre entre o PT e o PL, com o total de 40 inserções para cada legenda. O cronograma prevê exibição de programas sempre às terças, quintas e sábados. O PT começará a veicular suas propagandas em 23 de abril, quinta-feira, estendendo as ações pelos meses de maio e junho.
Candidaturas confirmadas
Flávio Bolsonaro lançou sua pré-candidatura após receber a bênção do pai em dezembro. A agenda recente do senador tem incluído viagens internacionais — Israel, França e os Estados Unidos — e participação em eventos como a CPAC, onde relatou que o Brasil pode ser uma solução para os EUA terem minerais de terras raras. Nas redes sociais, Flávio intensifica ataques a Lula e tem sinalizado uma postura mais próxima do centro, abordando pautas como feminicídio.
Entre os desdobramentos políticos desta semana, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou pela segunda vez sua pré-candidatura à Presidência pelo PSD, prometendo pacificação nacional e defesa de uma anistia ampla, geral e irrestrita — ao mesmo tempo em que ataca indiretamente o PT. Já no dia 1/4, Lula confirmou Geraldo Alckmin (PSB) como vice. Fernando Haddad, que já deixou o Ministério da Fazenda, trabalha a costura da chapa, enquanto nomes como Teresa Vendramini, Simone Tebet, Marina Silva e Márcio França aparecem como possíveis vice-presidentes de composições diversas.
No cenário eleitoral em rápida movimentação, as peças parecem se alinhar para uma disputa marcada pela polarização entre dois projetos de nação, consolidando a ideia de que a eleição terá um tom bastante definidor para o futuro do país. Mas, na prática, o leitor pode se perguntar: o que tudo isso muda no dia a dia do voto?