Corregedoria investiga marido coronel desde dois dias após a morte da PM Gisele
A Corregedoria da Polícia Militar abriu um procedimento para apurar denúncias de supostas ameaças feitas pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto contra a soldado da PM Gisele Alves Santana, 32. A abertura da apuração ocorreu dois dias após o falecimento da policial, encontrada com um tiro na cabeça na sala da residência que o casal morava, no Brás, região central de São Paulo, na manhã de 18 de fevereiro. O procedimento foi instaurado no dia 20, por iniciativa do coronel Alex dos Reis Asaka, chefe da Corregedoria. O documento não detalha se a denúncia foi apresentada antes ou depois da morte. Procurada, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que as circunstâncias do caso estão sendo investigadas pelas polícias Civil e Militar. Em nota, a corporação reforçou: “A Polícia Militar não compactua com irregularidades ou desvios de conduta e, caso seja constatada qualquer ilegalidade, todas as medidas cabíveis serão devidamente adotadas”.
O Inquérito Policial Militar foi aberto com base em uma denúncia anônima que relata episódios de perseguição, intimidação e ameaças atribuídos ao oficial contra a soldado. Segundo o documento, Gisele vivia em estado de apreensão e medo, e o texto afirma que testemunhas teriam presenciado as situações no dia a dia.
Em entrevista à TV Record nesta quarta-feira (11), o tenente-coronel afirmou que a esposa teria tirado a própria vida enquanto ele estava no banheiro da residência. Na leitura das declarações, ele caracterizou as acusações de violento comportamento feitas por familiares da policial como “narrativas” e declarou: “O Brasil inteiro acha que eu sou um assassino”.
Observação: durante a apuração, o registro policial señaló dúvidas sobre a natureza da morte, cabendo a classificação entre suicídio ou morte suspeita, com a menção de “dúvida razoável quanto a tratar-se de suicídio”.
O boletim de ocorrência registrado no 8º Distrito Policial (Brás) aponta essa dúvida e traz depoimentos tanto do oficial quanto da mãe da soldado, que descreveram um relacionamento conturbado. A mãe relatou que o tenente-coronel era uma pessoa “excessivamente violenta” e que proibia a filha de usar batom, salto alto e perfume. A Polícia Civil avaliou o histórico do relacionamento ao formular hipóteses sobre o caso, que seguem em investigação.
O laudo do Instituto Médico Legal apontou lesões no pescoço e no rosto da soldado, com sinais de dedos e unhas ao redor das áreas atingidas. Na prática, tais indícios ajudam a compor o cenário do que pode ter ocorrido naquela ocasião.
Nesta terça-feira (10), a juíza Giovanna Christina Colares, da Justiça de São Paulo, determinou a redistribuição do processo para a Vara do Tribunal do Júri, que é responsável por julgar crimes contra a vida, como homicídio, feminicídio e indução ao suicídio. No dia a dia, a mudança pode significar novos prazos, diligências e a participação de testemunhas relevantes na linha de apuração.
Enquanto andam os desdobramentos, o público acompanha com curiosidade os desdobramentos desse caso que envolve, de um lado, uma mulher policial sob pressão e, de outro, um oficial de alta patente. E no fim das contas, permanece a pergunta que não quer calar: o que realmente aconteceu naquela residência no Brás?