Sem citar Trump, Lula critica ataque à Venezuela em artigo no NY Times: ‘não seremos subservientes’
No artigo, Lula critica a política externa americana mas não cita o nome do presidente Donald Trump.
O presidente Lula escreveu um artigo de opinião para o The New York Times, publicado no domingo (18/1), no qual critica as ações dos Estados Unidos na Venezuela e questiona o rumo da intervenção internacional na região. Curiosamente, ele não menciona o nome de Donald Trump.
Na prática, o texto alerta que os ataques norte‑americanos no território venezuelano — e a prisão do presidente venezuelano em 3 de janeiro — representam mais um capítulo na erosão do direito internacional e da ordem multilateral que se consolidou após a Segunda Guerra.
Além disso, Lula deixa claro que não ficará subserviente a iniciativas hegemônicas, defendendo uma região próspera, pacífica e plural. O artigo também remete ao título destacado pela publicação, que coloca em foco a ideia de que o hemisfério pertence a todas as nações da região.
A América Latina e o Caribe abrigam mais de 660 milhões de pessoas, e o brasileiro aponta que cada país tem seus próprios interesses e sonhos a defender. Em um mundo mais multipolar, ele sustenta que nenhum país deveria ter suas relações exteriores questionadas por buscar a universalidade e a autodeterminação.
Em termos conceituais, Lula sustenta que, ao longo de mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a região vivencia um ataque militar direto vindo dos EUA, mesmo que intervenções anteriores já tenham ocorrido. Ele argumenta que o uso da força, se torna regra, não aproxima na prática o combate à fome, à pobreza, ao tráfico de drogas ou às mudanças climáticas — pelo contrário, compromete a paz, a segurança e a estabilidade globais.
No dia a dia, o Brasil defende que a saída está em um processo político inclusivo e liderado pelos venezuelanos, rumo a um futuro democrático e sustentável. Além disso, Lula aponta que a cooperação com os EUA, ainda que estratégica, faz parte de um esforço entre as duas democracias mais populosas do continente, priorizando investimento, comércio e combate ao crime organizado. Em síntese, ele acredita que somente juntos podemos enfrentar os grandes desafios de um hemisfério que pertence a todos nós.
Quanto aos desdobramentos internacionais, o artigo menciona um convite de Donald Trump para que Lula participe do chamado Conselho de Paz para Gaza, enviado pela Embaixada do Brasil em Washington e confirmado pelo Itamaraty. O texto ainda descreve a criação de um Conselho Executivo fundador e de um Conselho Executivo de Gaza, responsáveis pela governança temporária de Gaza e pela reconstrução, sob a supervisão do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG). Segundo a narrativa, Trump atuaria como presidente do Conselho de Paz, integrante de um plano de 20 pontos para encerrar o conflito entre Israel e o Hamas, com a expectativa de que o conselho tenha posição superior aos demais órgãos executivos e reúna lideranças globais.