Sérgio Moro responde se mudou de opinião sobre críticas a Jair Bolsonaro
Senador diz que divergências com ex-presidente permanecem, mas defende união para derrotar Lula
O cenário político acompanha, mais uma vez, um movimento de Moro que mistura pragmatismo e estratégia. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, conduzido por Marcela Rahal, o senador defende que as críticas feitas no passado a Jair Bolsonaro não sumiram, mas foram empurradas para segundo plano diante do desafio eleitoral que o país encara. Na prática, ele aponta que a prioridade é ampliar a base da oposição e, claro, colocar o foco na derrota do governo Lula. Essa leitura pragmática tem alimentado uma leitura de campo que também favorece a aproximação com o bolsonarismo, especialmente para viabilizar sua posição política e fortalecer o apoio no Paraná, onde busca consolidar sua presença como uma alternativa técnica e competitiva.
Ao ser questionado sobre se houve recuo explícito em relação às acusações contra Bolsonaro, Moro não reitera mudanças abruptas. “O que aconteceu no passado, ele tem o ponto de vista dele e eu tenho o meu”, afirmou, ressaltando que as divergências existem, porém não definem sozinhas o mapa político atual. Nesse sentido, o mais importante é a construção de alianças que permitam enfrentar o atual governo federal. Nunca se trata de apagar recordações, mas de colocar a estratégia adiante: derrotar Lula ganha prioridade, e nada parece superar essa objetivo comum.
No centro da avaliação de Moro está a resposta a um dilema clássico de quem navega entre críticas do passado e alianças presentes: por que se aproximar do PL? A explicação é simples, segundo ele: o cálculo é político, com o objetivo claro de ampliar o desempenho da oposição. A tábua de salvação, segundo o senador, continua sendo vencer as urnas, e nisso o apoio ao PL e a uma agenda conservadora mais coesa aparecem como instrumentos para viabilizar sua candidatura, inclusive no cenário estadual. A convivência no Senado, especialmente com o grupo bolsonarista, aparece como um aprendizado que, de forma prática, ajudou a entender melhor as relações dentro do campo conservador.
Essa leitura de cenário não esconde, no entanto, a ideia de que o pragmatismo pode, com o tempo, redesenhar velhos vínculos. Moro enfatiza que a experiência recente ao lado de Flávio Bolsonaro, entre outras dinâmicas, contribuiu para uma reaproximação que não apaga o passado, mas o relembra sob uma luz de utilidade política. No cotidiano, isso se traduz em uma postura mais contida em disputas internas e na construção de uma frente unificada que tenha como norte a derrota do governo em 2026. No fim das contas, a equação é simples para o senador: derrotar o Lula continua sendo a causa que privilegia alianças, mesmo que isso signifique uma convivência mais próxima com setores que antes estavam fora do seu radar.
No campo estadual, o movimento também ganha contorno. Moro, pré-candidato ao governo do Paraná, pretende se apresentar como uma alternativa técnica, capaz de dialogar com diferentes setores sem antagonizar de imediato grupos estabcidos – incluindo o grupo liderado pelo governador Ratinho Júnior. Ao mesmo tempo, admite que a aproximação com o PL e com o bolsonarismo amplia sua base de eleitores de direita, que são cruciais para uma vitória em um pleito competitivo. Além disso, o posicionamento visa manter uma comunicação constante com a base, evitando choques desnecessários que possam inviabilizar a chapa. Entre o pragmatismo de curto prazo e o desejo de consolidar uma liderança firme, o caminho de Moro parece depender da capacidade de articular alianças com vistas ao objetivo maior: afastar o governo atual e abrir espaço para uma nova pauta no cenário nacional.
Para o leitor comum, a leitura é simples: no dia a dia, Moro se apresenta como alguém que reconhece o passado, mas foca no que pode ser feito neste momento para fortalecer a oposição. Por trás disso, há um jogo de cintura político que mistura o que aconteceu com o que pode acontecer, mantendo o foco em conquistar espaço em estados-chave e, de quebra, ampliar a base de apoio na capital federal. A pergunta que fica é: até onde essa linha de atuação pode ir, sem atravessar limites éticos ou conflitar com a própria história política? No fim das contas, o resultado depende de como as peças se encaixam em futuras alianças e de quanta adesão a estratégia de derrotar Lula conseguirá atrair entre os eleitores de direita.
– Derrotar Lula como prioridade estratégica
– União da oposição como engine de atuação
– Divergências do passado mantidas, sem bloquear o avanço
– Fortalecimento da posição de Moro no Paraná e no PL