3 gráficos mostram como a guerra do Irã afeta a popularidade de Trump

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Três gráficos que mostram o impacto da guerra do Irã na popularidade de Trump

Com a alta dos preços da gasolina, a aprovação de Trump entra em um terreno politicamente perigoso.

Desde que voltou ao poder no começo de 2025, a popularidade de Donald Trump vem caindo de forma constante nas leituras de opinião. Embora seja um traço comum de segundas fases de governo, esse recuo ganha contornos adicionais diante do custo de vida que os eleitores sentem no dia a dia e da inflação que ajudou a empurrar vitórias democratas em eleições menores aqui e ali.

Dados compilados pela The Downballot indicam que, em média, os democratas tiveram 13% de desempenho a mais em eleições especiais disputadas em 2025 do que nos mesmos distritos em 2024, quando Trump saiu vitorioso sobre Kamala Harris. A crise no Irã parece ter ampliado essa preocupação econômica entre quem vai às urnas.

A Ipsos aponta que, no início do segundo mandato, 43% dos americanos aprovavam a condução da economia por Trump. Em 23 de junho de 2025, esse índice recuou para 35% e manteve-se nesse patamar pelo restante do ano.

Poucos dias após o início do conflito com o Irã, os preços da gasolina chegaram a ficar próximos de US$ 4 por galão, o que acabou refletindo na avaliação sobre o desempenho do presidente na economia, que caiu para 29%. Esse patamar situa a avaliação de Trump em terreno abaixo de tudo o que Biden teve em seus quatro anos no cargo, especialmente durante o pico de inflação pós-pandemia.

No começo da guerra, muitos analistas destacaram que o apoio da base fiel de Trump poderia manter a agenda do governo mesmo diante de pressões econômicas, mas o cenário se tornou mais complexo conforme a crise se esticou. Em 28 de fevereiro, já no início do conflito, 42% dos americanos tinham avaliação positiva do presidente; nesta semana, esse índice ficou em 40%, sinalizando vulnerabilidade adicional à medida que a guerra se prolonga.

No palco político interno, a CPAC — Conferência de Ação Política Conservadora — trouxe o tom do debate: em meio a discursos de críticos e apoiadores, o confronto com o Irã foi apresentado como elemento decisivo para as eleições de novembro. Michael Whatley, senador e ex-presidente do Comitê Nacional Republicano (RNC), deixou claro o recado para a oposição: se os democratas voltarem a controlar o Congresso, poderão emergir impeachment, investigações e uma agenda fora de controle.

O Pew Research Center reforçou que, embora a maioria dos entrevistados se oponha a uma intervenção militar, a base de apoio a Trump permanece firme, mesmo com as dúvidas econômicas. Ainda assim, o confronto com o Irã parece ter tirado a aura de “lua de mel” que alguns presidentes costumam ter no começo do mandato, e essa base fiel se mostrou intensa na CPAC, com comentários de que é preciso aceitar o custo imediato para evitar consequências maiores no futuro.

Um retrato mais direto vem da Quinnipiac: entre os republicanos, 86% aprovam a ação militar dos EUA no Irã e 80% aprovam a forma como Trump está conduzindo a resposta. Entre todos os eleitores, esses números caem para 39% e 34%, respectivamente, revelando uma divisão mais acentuada entre o eleitorado como um todo.

Os democratas, por sua vez, vêm mantendo uma postura de maior oposição a tudo o que Trump propõe desde o seu retorno. Por outro lado, os eleitores independentes parecem estar cada vez mais arredios. Conquistar esse grupo foi determinante para a vitória de 2024 e, se a dinâmica não mudar, a rejeição entre independentes pode se tornar um risco real para o desempenho do Partido Republicano em novembro.

No fim das contas, o cenário atual dubbla o peso entre uma economia ainda sensível aos preços e uma guerra externa que pode se arrastar. A base aliada a Trump mantém viabilidade, mas a incerteza entre o eleitor independente acende um alerta para as perspectivas políticas do presidente, já tão sob escrutínio. E você, leitor: como vê a relação entre o que acontece na esfera internacional e o seu bolso no dia a dia?

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Jornalista

Ana Martins

Designer de interiores apaixonada por achados acessíveis. Adora transformar espaços sem estourar o orçamento e compartilhar cada descoberta.

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