Marco Rubio nega que EUA estejam tentando depor presidente de Cuba
‘NYT’ havia reportado que membros do governo Trump teriam solicitado que Havana destituísse Miguel Díaz-Canel e instalasse uma ‘Delcy Rodríguez cubana’
Em meio a uma crise regional que parece não ter fim, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, voltou a afirmar que não houve qualquer tentativa oficial de pressionar Cuba para afastar o presidente Miguel Díaz-Canel. A declaração veio na terça-feira 17, quando Rubio utilizou uma publicação na rede social X para classificar como falsa a matéria publicada pelo New York Times, que apontava para uma suposta atuação de membros do governo norte-americano nesse sentido. Segundo o chefe da diplomacia americana, a matéria se baseou em relatos de fontes charlatãs e mentirosas.
A reportagem questionada sustenta que, nos bastidores da Casa Branca, houve tentativas de levar Havana a destituir Díaz-Canel sem encerrar o regime por completo — alinhando-se mais ao que ocorreu na Venezuela. Além disso, o texto descreve uma visão de Cuba que a classifica como linha-dura, resistente a mudanças estruturais e a negociações que pudessem abrir espaço para acordos com os Estados Unidos. Em outras palavras, o cenário seria de pressões discretas para mudar o eixo político, sem uma derrubada rápida do governo cubano.
Essa leitura surge em meio a um momento de fragilidade para o país caribenho. O apagão nacional ocorrido no início da semana e a crise econômica agravada pela interrupção do fornecimento de petróleo venezuelano contribuem para um ambiente de tensão interna. No dia a dia de quem lê as manchetes, fica a dúvida sobre qual é o real peso dos atritos entre Havana e Washington e como isso se refletiria na vida cotidiana dos cubanos.
Por outro lado, analistas destacam que a estratégia em pauta não busca uma derrubada imediata de governos adversários, mas uma espécie de obedience forçada, em que mudanças mais drásticas seriam condicionadas a reciprocidades políticas. No âmbito regional, esse mesmo lógica tem sido citada como um fio condutor que liga as ações recentes na Venezuela e, segundo algumas leituras, também no Irã — sempre com a ideia de pressionar por mudanças sem mergulhar os países em conflitos diretos.
Entre os elementos citados pelo debate público, ganha destaque a relação de Rubio com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. A reportagem aponta que, mesmo diante de tensões, houve momentos em que a liderança pragmática de Delcy deixou passar um tratamento preferencial a empresas petrolíferas americanas. No fim das contas, tratam-se de nuances que ajudam a entender como as altas esferas de poder veem o tabuleiro latino-americano neste momento, onde petróleo, sanções e interesses estratégicos se cruzam de maneiras cada vez mais complexas.
O cenário se mantém volátil: a narrativa de que não houve tentativa de depor Díaz-Canel contrasta com a percepção de que, nos bastidores, as autoridades americanas teriam feito sinalizações de diferente teor para Havana. E, na prática, o que se discute é o efeito real dessas tensões no cotidiano das pessoas, na economia, na oferta de combustíveis e na própria dinâmica entre os governos da região. Enquanto isso, a leitura de analistas aponta para uma postura que não pretende derrubar governos de imediato, mas criar condições para que mudanças, se acontecerem, se deem sob pressões que deem vantagem aos interesses norte-americanos.
Para o leitor comum, a grande questão talvez esteja no que tudo isso significa no curto prazo: quais impactos práticos adviriam de um eventual alinhamento entre Cuba e Washington, ou de novas pressões para mudanças de regime? No fim das contas, a história mostra que, por trás das manchetes, está uma operação de comunicação que busca justificar posições estratégicas em um tabuleiro regional cada vez mais complexo — e que, de certo modo, já influencia o dia a dia de quem fica atento aos desdobramentos.